Enfermeira alerta: "Não permitam que a ignorância se transforme na vossa ruína"

Enfermeira alerta: 'Não permitam que a ignorância se transforme na vossa ruína'
Lucília Galha 22 de abril de 2020

Carla Pinto, 36 anos, que trabalha nos Cuidados Intensivos do Hospital de Braga com doentes Covid-19, diz que a pandemia evidencia o melhor, mas também o pior das pessoas. E que, se cada um não cumprir com a sua parte, não será possível ultrapassar este problema.

"Tenho noção que sou uma potencial portadora, portanto, estou sempre atenta e tomo precauções. Por isso, antes de sair do carro, higienizo as mãos, coloco máscara e calço luvas. Estou protegida e, principalmente, estou a proteger os outros. A máscara cirúrgica protege de dentro para fora – a ideia é a não propagação, não contaminar.

Noutro dia, fui à Leroy Merlin, em Matosinhos, comprar uns óculos de proteção. Dirigi-me às caixas para pagar e esperei a dois metros das pessoas que estavam à frente: dois senhores da construção civil, que estavam lado a lado, coladinhos. Eles pagaram e foram recebidos sem qualquer problema. Mas, quando eu me aproximei da caixa, e o rapaz me viu de máscara e de luvas, hesitou e encaminhou-me para uma colega.

Quando a rapariga olhou para mim, também não quis atender-me e queria mandar-me novamente para o primeiro colega. Tive de me chatear: ‘Mas o que é isto?’ Ela não tinha máscara, não tinha óculos, não tinha nada. Atendeu duas pessoas completamente expostas e é a mim, que tenho uma barreira para proteção dos outros, que me discrimina?

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais