A crise da vida quotidiana e outras sequelas da pandemia

A crise da vida quotidiana e outras sequelas da pandemia
Ana Bela Ferreira 23 de fevereiro

Os efeitos da covid-19 não se limitam aos que a doença provoca em que contrai o vírus. As alterações profundas nas rotinas e na vida social fazem também parte dos efeitos da pandemia.

Antes da pandemia ter rotinas parecia sinónimo de uma vida aborrecida. E muitas eram as afirmações que chamavam a atenção para os seus malefícios. Um desses casos era do paleoantropólogo espanhol Juan Luis Arsuaga que dizia: "A vida não pode ser trabalhar toda a semana e ao sábado ir ao supermercado. Essa vida não é humana."

Agora que a pandemia se instalou no dia a dia da população mundial para acabar com todas as rotinas fora de portas, o professor da Universidade Pablo de Olavide e doutorado em antropologia social Alberto del Campo reuniu em livro uma dezena de estudos que questionam as afirmações contra as rotinas e que mostram como estas eram parte essencial da vida social. Também apontam para os efeitos que a interrupção das mesmas, devido à covid-19, vai trazer às sociedades que há um ano vivem confinadas.

Neste momento, a rotina passou a ser uma coisa desejada, um privilégio e objeto de desejo. Funcionários que sonham voltar aos seus postos de trabalho, mães trabalhadoras que sem as creches e escolas têm de se desdobrar em funções, jovens que alteraram os seus relacionamentos tanto sexuais como afetivos. Ou pessoas que simplesmente sonham levantar-se sem temer o dia que começa. Estas são sequelas que Alberto del Campo enumera no seu livro A vida quotidiana em tempo de covid, editado neste início de 2021.

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