Em Coisas de Ricos, Ângela Marques, lembra: quem está no topo da cadeia alimentar não estaciona o seu próprio carro
Nas comédias românticas, em particular nas que têm um leve aroma a machismo, há sempre uma cena em que, chegando a uma festa, um homem para o carro em frente a um grande hotel, um belíssimo palacete ou a mansão de um Gatsby, sai do veículo e deixa a chave com um funcionário diligente que se encarrega de fazer a viatura desaparecer do plano. Do outro lado, uma mulher aguarda, alheia ao gesto (e, muitas vezes, a tudo).
Um babysitter para o carroGetty Images
Na vida real, perdão, na vida que uma jornalista de lifestyle consegue simular ocasionalmente - quando se dirige a hotéis de cinco estrelas, na tentativa de perceber como vivem as pessoas realmente ricas em sonhos e em euros ou dólares -, a história não é muito diferente. Quem está no topo da cadeia alimentar (mesmo que de passagem) não estaciona o seu próprio carro.
Se para alguns isto soa e sabe a privilégio, outros terão o discernimento de entender que estacionar o próprio carro é o mínimo. À entrada de um hotel, porém, e perante esta possibilidade, a maioria das pessoas não hesita em entregar a chave ao primeiro jovem solícito que lhe aparecer pela frente.
A confiança, claro, é a base da relação entre o hóspede e o hospedeiro. E, por isso, no momento em que a chave passa de uma mão para a outra, o que se espera é que, no fim da estadia no hotel, carro e chave estejam em perfeitas condições. Da última vez que me senti numa comédia romântica, no caso sem pingo de machismo, entrei na dinâmica. Parei o carro, saí dele e perante a mão estendida de um funcionário do hotel aonde chegava cedi.
Sorrimos ambos e seguimos com a nossa vida. A comédia, porém, transformar-se-ia num drama passados dois dias. Ao receber chave e carro de volta, percebi uma série de riscos na base do para-choques. Perante a minha pergunta sobre o que teria acontecido, naturalmente zero explicações - o jovem que me entregava a chave não era já o mesmo que a tinha levado. Já ao volante, suspirei: “Se queres uma coisa bem feita, faz tu.”
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