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A FIFA absolveu o videoárbitro (VAR) australiano Shaun Evans sobre um alegado gesto conotado com grupos de supremacistas brancos antes de um jogo do Mundial2026 de futebol, mantendo-o na competição após uma investigação, anunciou na segunda-feira o organismo.

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"O Comité Disciplinar independente confirma que, após analisar o caso envolvendo o assistente de VAR Shaun Evans, não encontrou evidências de violações do Código Disciplinar da FIFA", afirmou a entidade presidida pelo ítalo-suíço Gianni Infantino, em comunicado.

No domingo, minutos antes do jogo entre Alemanha e Curaçau (7-1), para a jornada inaugural do Grupo E do Mundial2026, que se disputou em Houston, nos Estados Unidos, Shaun Evans foi filmado na sala de videoarbitragem, instalada em Dallas.

No momento em que a equipa de arbitragem olhava para as câmaras e era apresentada na transmissão televisiva da partida, o 'juiz' fez um círculo com o polegar e o indicador da mão direita, deixando os outros dedos estendidos, num gesto associado à supremacia branca, por mostrar as letras WP (White power, sinónimo de poder branco em tradução livre).

O painel antidiscriminação Fare, que trabalha com a FIFA, solicitou a expulsão de Shaun Evans do Campeonato do Mundo, mas o organismo decidiu arquivar o processo, após ter analisado as imagens e ouvido o árbitro, de 38 anos e pela segunda vez consecutiva como VAR em fases finais.

"O sentimento dos nossos especialistas é de que o gesto usado é claramente um 'Ok' invertido, usado como o símbolo de 'poder branco' nos círculos de extrema-direita internacional", reconheceu a Fare, considerando que o árbitro não devia ter "mais nenhum papel" depois do seu primeiro jogo no Mundial2026.

O gesto também poderá ser entendido como uma brincadeira de crianças, apesar da sua apropriação por grupos de extrema-direita há uma década.

Antes da decisão da FIFA, Shaun Evans negou ter feito gestos ou símbolos de forma intencional para transmitir mensagens políticas ou ideológicas.

"A única explicação que posso oferecer é que esse movimento foi um tique involuntário e subconsciente e eu não tinha consciência de o ter feito. As imagens capturadas posteriormente durante o jogo mostraram que repeti esse movimento muitas vezes enquanto segurava uma caneta entre os dedos. A cobertura do deste incidente não reflete quem eu sou. Entendo como o gesto foi interpretado e lamento isso", observou, em comunicado.

Ao ser absolvido, Shaun Evans continua elegível para integrar equipas de videoarbitragem no Mundial2026, que se realiza até 19 de julho e reúne pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

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