Os adolescentes - e os adultos - estão demasiado tempo no ecrã? Sim, estão. Mas normalmente, quando têm alternativas mais interessantes para fazer, escolhem-nas. Talvez o desafio social que temos não seja apenas o de regular tempos de ecrãs, mas também o de criar uma cultura em que as pessoas se mexem
Uma notícia recente deu-nos conta de um relatório que indica que os adolescentes portugueses são dos que mais tempo passam em frente ao ecrã ao fim de semana. É certo que os adolescentes - e em boa verdade, todas as pessoas - tendem a passar muito tempo em frente a ecrãs. Além disso, esta é uma realidade que não é exclusiva do nosso país. Mas se isto são sinais dos tempos que vivemos, também merece reflexão os portugueses surgirem destacados neste tipo de indicadores com muita frequência. Coloca-se inevitavelmente a questão do porquê de tais resultados. Trata-se apenas de um efeito estatístico e que nem tem grande magnitude, comparativamente a outros adolescentes europeus, ou reflete alguma circunstância própria ou específica da nossa realidade?
Isto certamente merece o cruzamento com outros dados e uma análise sob diferentes prismas. Um deles envolve um outro indicador, por sinal, muito preocupante e que também foi noticiado: somos o povo que menos pratica exercício físico em toda a União Europeia. Este é um indicador alarmante, já que tem implicações generalizadas ao nível da saúde e da saúde mental. Um verdadeiro problema de saúde pública e que tem também reflexos do ponto de vista social e ambiental, desde logo na forma como nos relacionamos com o território.
Contaram-me há tempos uma piada sobre o comportamento das pessoas quando estão a fazer trilhos. Se nos cruzarmos com um francês, dirá bonjour. Se encontrarmos um alemão, dirá hallo ou quem sabe um bávaro servus. Se nos cruzamos com um nórdico, assumindo que olha para nós, poderia sair um tímido hej. E se for um português? Provavelmente não se ouve nada, porque na verdade não nos cruzaremos com nenhum! Descontando a caricatura, a piada remete-nos para uma questão bem mais séria e que é o facto de os portugueses se mexerem e exercitarem pouco.
Correlação não é causalidade. Mas a acumulação deste tipo de evidências deve-nos preocupar muito. Os adolescentes - e os adultos - estão demasiado tempo no ecrã? Sim, estão. Mas normalmente, quando têm alternativas mais interessantes para fazer, escolhem-nas. Talvez o desafio social que temos não seja apenas o de regular tempos de ecrãs, mas também o de criar uma cultura em que as pessoas se mexem. E são os adultos que devem começar por dar o exemplo.
Os adolescentes - e os adultos - estão demasiado tempo no ecrã? Sim, estão. Mas normalmente, quando têm alternativas mais interessantes para fazer, escolhem-nas. Talvez o desafio social que temos não seja apenas o de regular tempos de ecrãs, mas também o de criar uma cultura em que as pessoas se mexem
A experiência da Ordem dos Psicólogos (OPP) mostra que a nova lei veio sobretudo criar mais camadas burocráticas, novas regulamentações e, na prática, introduzir complexidade e entropia. Isso está cada vez mais evidente em várias esferas, incluindo no que se passa ao nível do tal acesso que era preciso melhorar.
Uma imagem muito comum nas nossas cidades é a de alguém numa bicicleta ou motorizada, com uma mochila volumosa às costas, a atravessar ruas e avenidas para fazer uma entrega. Uma imagem que não pertence apenas aos dias amenos, mas que se repete à noite, à chuva ou ao frio. E, no entanto, raramente nos detemos nela.
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