Análise minuciosa ao trabalho do Governo na Modernização Tecnológica do Estado
A simplificação administrativa deixou também de ser slogan e passou a ter métricas. O diagnóstico assumido pelo próprio ministro Adjunto e da Reforma do Estado foi cru: cerca de 356 horas para abrir uma empresa e mais 391 horas em obrigações burocráticas, ou seja, perto de 750 horas por ano perdidas em papelada, o equivalente a um terço do ano de trabalho de um empresário.
Há reformas que se anunciam e há reformas que se veem nos diplomas, nos organigramas e nas datas de entrada em vigor. O que aconteceu em Portugal entre agosto de 2025 e julho de 2026 pertence, sem grande margem para dúvida, à segunda categoria, e merece ser dito com clareza: raramente na história recente da Administração Pública portuguesa se concentrou tanta decisão estruturante num intervalo tão curto. Num período de doze meses foi criada uma nova agência central para a tecnologia do Estado, foi instituída pela primeira vez a figura de um responsável técnico máximo, foi aprovada a agenda nacional de inteligência artificial, foi transposto e posto em vigor o novo regime jurídico da cibersegurança, foi designada a autoridade nacional de supervisão do regulamento europeu da IA, foi lançado o primeiro grande modelo de linguagem público em português europeu e foi aprovado o investimento numa gigafábrica de inteligência artificial. Qualquer um destes atos seria, isoladamente, matéria para um mandato. Executados em conjunto, revelam uma capacidade reformista que convém reconhecer antes de a submeter ao escrutínio técnico que ela própria, aliás, pede.
Análise minuciosa ao trabalho do Governo na Modernização Tecnológica do Estado
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