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Irão: Teerão seleciona navios aliados que podem atravessar Estreito de Ormuz

Lusa 17 de março de 2026 às 21:22
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Nos últimos dois dias, pelo menos quatro navios saíram do Estreito de Ormuz através do canal Larak-Qeshm, junto à costa iraniana.

O Irão está a selecionar navios de "países aliados" autorizados a atravessar o Estreito de Ormuz, sob bloqueio imposto pela República Islâmica em retaliação à ofensiva israelita e norte-americana iniciada em fevereiro, mostraram esta terça-feira dados de rastreio.

Navio a atravessar o Estreito de Ormuz
Navio a atravessar o Estreito de Ormuz AP

Pelo menos cinco navios saíram da via navegável estratégica, por onde normalmente passam quase 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo, transitando por águas iranianas nos dias 15 e 16 de março, informou a empresa de informações marítimas Windward, num relatório de análise divulgado esta terça-feira.

"Esta nova rota ilustra como o bloqueio seletivo do Irão se alterou para permitir o trânsito dos seus aliados e apoiantes", afirmou a empresa.

Nos últimos dois dias, pelo menos quatro navios saíram do Estreito de Ormuz através do canal Larak-Qeshm, junto à costa iraniana, segundo um comunicado publicado por Natasha Kaneva, analista de matérias-primas do banco JPMorgan Chase.

"Esta não é uma rota padrão para navios. Pode refletir um procedimento para confirmar a propriedade do navio e a natureza da carga, permitindo a passagem de embarcações não ligadas aos Estados Unidos ou aos seus aliados", declarou.

Entre os navios, estava um petroleiro com pavilhão paquistanês que transitou pelo estreito com o seu sistema de identificação automática (AID) ativado, segundo uma publicação do 'site' especializado MarineTraffic, ao passo que a maioria dos navios o mantém desligado para evitar serem alvos de fiscalização.

A maior parte do crude que atravessou o estreito tinha como destino a Ásia, principalmente a China, acrescentou Kaneva.

Um navio pertencente a interesses turcos também conseguiu passar o estreito com a permissão do Irão, afirmou o ministro dos Transportes turco, Abdulkadir Uraloglu.

Embora os responsáveis de Teerão tenham emitido declarações contraditórias umas atrás das outras, em meados de março o chefe da diplomacia iraniana garantiu que o seu país estava disposto a autorizar a passagem de navios de determinados países pelo Estreito de Ormuz.

Teerão tem como objetivo tornar o estreito intransponível e perturbar a economia mundial, para pressionar Washington.

"A situação no Estreito de Ormuz não voltará ao estado anterior à guerra", advertiu o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X, sem fornecer mais pormenores.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou como um "erro realmente estúpido" a recusa de muitos Estados-membros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) em ajudar os Estados Unidos a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade do regime político da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão pelo menos 1.348 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei - e mais de 10.000 civis feridos.

A organização não-governamental norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA) indicou, a 11 de março, que morreram mais de 1.825 pessoas, quase 1.300 das quais civis, incluindo pelo menos 200 crianças.

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