Príncipe Filipe vai fazer 100 anos - e não quer

Príncipe Filipe vai fazer 100 anos - e não quer
Sónia Bento 20 de fevereiro

O marido de Isabel II sempre foi o único elemento da família real a dizer o que lhe apetece sem contemplações. Centenário? "Não consigo imaginar nada pior", afirmou um dia.


Espirituoso, incontinente verbal e por vezes até insensível, o príncipe Filipe de Edimburgo comemora 100 anos a 10 de junho. Tornou-se conhecido por ser o membro da família real britânica mais politicamente incorreto, não se contendo em dizer o que vem à cabeça - situação que já deu origem a livros sobre as suas gafes. Casado com a rainha de Inglaterra, há 73 anos que caminha dois passos atrás dela, embora nos bastidores tenha tido o poder de exercer as decisões importantes. Amante de pintura, de cavalos, de literatura, de jazz e de cerveja, o príncipe consorte mais longevo do Reino Unido retirou-se da vida pública em 2017, mas continua a ser notícia pelas suas "formas" inconvenientes ...  

A mesa da sala de jantar e o exílio
Mal entrou em trabalho de parto, uma princesa Alicia de Battenberg foi levada para uma mesa da sala de jantar, local que o médico entendeu ser o mais adequado para dar à luz. A criança nasceu nesse 10 de junho de 1921, na casa da família, na ilha grega de Corfu. Depois de quatro raparigas, este foi o filho mais desejado pelo príncipe André da Grécia e da Dinamarca e por Alicia de Battenberg. Deram-lhe o nome de Philippos zu Schleswig-Holstein Sonderburg Glucksburg, então sexto na linha de sucessão ao trono da Grécia. Dezoito meses a seguir ao nascimento e após a derrota do exército grego na guerra contra a Turquia, os príncipes e os cinco filhos tiveram de fugir do país, exilando-se, com muitas dificuldades financeiras, em casas de familiares: em França, na Grã -Bretanha e na Alemanha. Aos 9 anos, o futuro duque de Edimburgo assistiu a um dos episódios mais traumáticos, ao ver a mãe, surda de nascença, ser levada à força para um hospital psiquiátrico. Aconteceu depois de o pai ter ido para Paris, onde viveu como um playboy, ficando Filipe na Grã-Bretanha, sob a tutoria de um tio, o marquês de Milford Haven, irmão de Alicia. Separado das irmãs e internado num colégio em Surrey, no sul de Inglaterra, não teve notícias da mãe durante anos, vendo o pai de passagem apenas nas férias escolares.

Carlos e o pudim de ameixa
Um ano depois de se ter casado com a então princesa Isabel, na Abadia de Westminster, nascia, a 14 de novembro de 1947, o primeiro filho, Carlos. Filipe de Edimburgo não acompanhou a mulher, por estar a jogar squash. Quando viu "Lilibeth", diminutivo com que trata Isabel, e o bebé, a primeira coisa que lhe saiu, segundo revelou Ingrid Seward, num dos seus muitos livros sobre a família real britânica, foi: "Parece um pudim de ameixa". O príncipe sempre foi criticado por ter sido tão intransigente com o filho mais velho durante a infância e adolescência. Mandou-o estudar para Gordonstoun, um internato conhecido pela disciplina austera da Escócia, que ele próprio também havia frequentado. Ali, as crianças fazem corridas matinais seguidas de banhos gelados.

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