Vieira deu "empurrão" a processo do filho na Câmara de Lisboa

A 15 de Março, Tiago Vieira queixou-se ao pai, presidente do Benfica, sobre o andamento de um processo para isenção de IMI

Sexta-feira, 24 de Março de 2017, 18h57. Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira, envia um e-mail, ao qual a SÁBADO teve acesso, ao presidente do Benfica. "Pai, Já cá canta!!!!! Sem o teu empurrão não íamos lá. Beijo grande", escreve o empresário, a partir do correio electrónico da Promovalor (sociedade do clã Vieira), tendo a caixa de correio oficial do líder do clube encarnado como destino. O "empurrão" a que Tiago Vieira se refere terá sido dado pelo presidente do Benfica num processo que se arrastava desde Novembro do ano passado e que envolvia a Realitatis – Investimentos Imobiliários, S.A. – empresa de compra e venda de imobiliário, que tem a filha de Luís Filipe Vieira, Sara Vieira, como presidente – e a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e que se prendia com um prédio que aquela sociedade tinha reabilitado, o n.º 28 da Rua de Sol a Santa Catarina, em Lisboa, e que pretendia vender.

Pormenor: para que o negócio se concretizasse, a Realitatis precisava que a CML reconhecesse a isenção de pagamento de IMI sobre aquele imóvel, o que só aconteceu na data em que Tiago Vieira escreveu o e-mail ao líder do emblema da Luz, reencaminhando outro e-mail, escrito pela directora do Departamento de Receitas e Financiamento da autarquia, Carla Ruas, em que era reconhecida a isenção por cinco anos (com início em 2016), conforme prevê o Estatuto dos Benefícios Fiscais para imóveis que foram objecto de reabilitação.

Ora, nove dias antes, num outro e-mail a que a SÁBADO também teve acesso, Tiago Vieira (que também pertence à administração da Realitatis) escrevia ao pai anexando uma troca de mensagens electrónicas com o vereador com o pelouro das Finanças da CML, João Paulo Saraiva, em relação àquele projecto. Sem pedir explicitamente qualquer intervenção de Luís Filipe Vieira, demonstra estar a ficar impaciente: "Já fizemos todas as escrituras excepto uma, que como é para habitação própria permanente o promitente-comprador aguarda, desde Outubro de 2016, o despacho de isenção de IMT [sic] ao abrigo dos benefícios fiscais previstos na lei."

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