Táticas, jogos e choques entre Catarina e António

Táticas, jogos e choques entre Catarina e António
Margarida Davim 20 de novembro

Na história da relação entre PS e BE, há aproximações estratégicas, ruturas públicas e acusações mútuas. Nos bastidores, a desconfiança é total e em público vão sendo lançadas farpas. Mas o resultado das eleições pode obrigar a novo acordo. Por isso, todos os ataques serão feitos com cautela.

Isto é político, não é uma relação pessoal”, diz à SÁBADO um membro do Governo sobre o atribulado histórico entre António Costa e o BE. As políticas têm estado no centro das divergências, mas já houve tempos em que Catarina Martins – a meio de um debate nas legislativas de 2019 – acusou Costa de ter estado à beira do “insulto pessoal” quando classificou como meramente “teatral” o desafio para entendimentos futuros feito pela coordenadora bloquista em 2015. Desta vez, um e outro querem evitar uma escalada de tom que leve a ruturas, mas a tensão é inegável.

Da parte de António Costa, o tiro de partida para as legislativas de 30 de janeiro foi dado com o tom conciliador da entrevista dada à RTP. “Não vou andar a abrir feridas que importa sarar”, disse, garantindo estar mais concentrado “nas maçanetas” que abrem as portas do que nas fechaduras.

“A nossa disponibilidade de diálogo existe independentemente do apoio que vamos ter [nas urnas]. Mesmo numa situação de maioria”, reforça-se no Executivo, onde se garante que o que separa o Governo da sua esquerda é muitas vezes uma questão de “ritmo” num caminho que é o mesmo: “Crescimento com justiça social.” Num discurso feito para pedir uma maioria absoluta sem hostilizar aqueles de quem pode vir a precisar para governar, o PS acrescenta à mensagem uma palavra-chave, “estabilidade”. E faz juras de não estar arrependido do passado da geringonça. “Faz sentido pedir aos portugueses maior autonomia, mas não fechamos a possibilidade de desbloquear o diálogo à esquerda”, garante um dirigente socialista.

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