Os arquivos secretos de Soares

Os arquivos secretos de Soares
Margarida Davim 21 de novembro

Há mais de três milhões documentos a serem trabalhados que vão revelar os lados escondidos do antigo Presidente, que guardava tudo.

Mário Soares nunca destruía um papel. A ideia de construir um arquivo levou-o desde muito jovem, ainda com 18 ou 19 anos, a escrever todas as cartas em papel químico, para conservar cópias do que enviava. Tinha o hábito de tomar notas sobre tudo, em cadernos que ao longo da vida foram registando impressões, rascunhos de discursos, resumos de reuniões e até retratos daqueles com que se cruzava. Grande parte desse acervo está até hoje inédito, mas vai começar a ser revelado através do projeto Obras de Mário Soares, da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

“Soares não perdia um papel. Quando tinha reuniões do secretariado nacional do PS, por exemplo, se deixavam papéis ele recolhia e levava para o espólio”, conta José Manuel dos Santos, coordenador desta edição das obras completas, que terá a tese de licenciatura do jovem Mário Soares sobre Teófilo Braga como volume zero.

Para organizar a coleção – que será lançada a 13 de dezembro – foi preciso mergulhar nos arquivos da Fundação Mário Soares, onde está um espólio de cerca de três milhões de entradas. Mas o trabalho de investigação não vai ficar por aqui: há documentos, cartas e cadernos ainda nas casas de Soares, no Campo Grande (Lisboa) e em Nafarros (Sintra).

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