Estão nos radares dos serviços de informações portugueses canais de propaganda russo dedicados ao doxing, fenómeno de recolha e divulgação de dados confidenciais. Há 14 portugueses como alvo. Governo diz que estão mencionados dez voluntários, alguns dados como desaparecidos.
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) tem monitorizado canais de propaganda russo dedicados a doxing, fenómeno de recolha e divulgação de identificações pessoais e confidenciais, contra voluntários portugueses que combatem ou combateram pela Ucrânia. Como o Repórter Sábado deste domingo revelou, há pelo menos 14 portugueses alvos num canal de Telegram dedicado a esse fenómeno - e identificado pela inteligência portuguesa.
Militares ucranianos junto a um lança-mísseis Milan, após ataques russos que mataram duas pessoasAP
"No âmbito das suas funções, o SIS está atento
a este fenómeno, bem como às movimentações dos portugueses que se
associaram ao esforço de defesa ucraniano", revela à SÁBADO fonte oficial do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP). “O SIS tem conhecimento de canais russos, como o mencionado, que se dedicam a fazer doxing – divulgação de informações de identificação pessoais e confidenciais de alguém na internet – de combatentes estrangeiros (incluindo portugueses) que se associaram ao esforço de defesa ucraniano", concretiza a mesma fonte.
Segundo os serviços de informações portugueses, o doxing tem sido utilizado "como uma ferramenta de guerra psicológica", em particular no contexto do conflito russo-ucraniano. "O seu objetivo é intimidar os visados e as suas famílias, bem como dissuadir outros potenciais interessados em apoiar os militares ucranianos de o fazer. Por outro lado, é também uma forma de sinalizar “alvos” para elementos da diáspora russa que se reveem no regime de Putin e que, por si próprios, possam querer retaliar contra os que apoiam a Ucrânia", acrescenta.
Os dez combatentes (e os desaparecidos)
Atualmente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros têm mencionados vários cidadãos portugueses na linha da frente, alguns deles dados como desaparecidos pelas autoridades. "O Governo sublinha que é difícil falar sobre números de forma definitiva (a lista tende a ser dinâmica), mas atualmente estão mencionados 10 cidadãos nacionais que combateram, combatem ou se preparam para combater ao lado das forças armadas ucranianas, alguns dos quais estão nesta altura dados como desaparecidos pelas autoridades", afirma fonte oficial do gabinete do Ministério liderado por Paulo Rangel.
O Governo acrescenta que garante "apoio consular" aos portugueses que rumaram à Ucrânia para combater, mantendo com as autoridades locais "a necessária interlocução a seu respeito (estes elementos estão sujeitos ao regime legal de proteção de dados)". "A Embaixada de Portugal em Kiev presta apoio consular a todos os portugueses que se encontrem na Ucrânia, incluindo àqueles que se encontrem integrados nas Forças Armadas ucranianas", sublinha.
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