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Quando os secretários de Estado migraram (e não gostaram)

Alexandre R. Malhado
Alexandre R. Malhado 15 de dezembro de 2019 às 08:21

Governantes no Interior? “Uma brincadeira”, disse Marcelo – em 2004. Houve mudanças sem pré-aviso, gabinetes com força de trabalho local, quilómetros na estrada, despesas do próprio bolso e até instalações provisórias (mas definitivas).

Estávamos em julho de 2004. Um dia após tomar posse como secretário de Estado da Educação, Diogo Feio ficou perplexo com uma chamada telefónica. Era o então ministro José Luís Arnaut, responsável pela pasta da administração local e desenvolvi-mento regional, a dizer-lhe que se preparasse para se instalarem em Aveiro, onde o seu gabinete viria a ser localizado. ÀSÁBADO, o centrista admite que ficou "surpreendido" com a decisão do Executivo PSD/CDS, liderado por Santana Lopes, de descentralizar uma série de Secretarias de Estado: "Por um lado, era uma honra ser nomeado. Por outro, não estava à espera [de trabalhar fora de Lisboa]." Década e meia depois, Diogo Feio descreve a sua experiência de descentralização como "não satisfatória": "Se os secretários de Estado estão a 200 e tal quilómetros de distância do seu Ministério, não existe contacto permanente com o Governo. Passei muito tempo na autoestrada, até carros avariados tive." Também José Cesário e Carlos Martins, dois dos seis secretários de Estado que descentralizaram com Santana Lopes, descrevem a medida como "simbólica" nos seus mandatos – e relatam uma série de desventuras.

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