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Protesto contra hotel no Quartel da Graça em Lisboa reagendado para sábado

Lusa 11 de maio de 2026 às 14:27
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As condições meteorológicas do passado fim de semana ditaram o adiamento do protesto contra a construção de um hotel de luxo no antigo Quartel da Graça.

O protesto contra a construção de um hotel de luxo no antigo Quartel da Graça, em Lisboa, foi reagendado para este sábado, com o evento popular "Há fado no coreto", disse esta segunda-feira à Lusa fonte da organização.

Quartel da Graça mostra sinais de degradação e abandono
Quartel da Graça mostra sinais de degradação e abandono Foto enviada pela Assembleia da Graça

Promovida pela assembleia de cidadãos "Parar o Hotel no Quartel da Graça", a iniciativa de protesto esteve agendada para o passado sábado, mas foi adiada devido às condições meteorológicas, com chuva e vento forte.

"Mais uma vez, fica evidente a necessidade de a Graça ter um espaço cultural coberto, onde a população possa continuar a usufruir de eventos e iniciativas culturais -- faça chuva ou faça sol", salientou a organização do evento, numa nota enviada à Lusa, informando que a iniciativa "Há fado no coreto" foi reagendada para este sábado, 16 de maio, das 15:00 às 18:00.

Contra a construção de um hotel de luxo no antigo Quartel da Graça, a assembleia de cidadãos pretende que o imóvel público, que dispõe de "um espaço enorme", seja destinado à comunidade, inclusive com habitação e oficinas para atividades, defendendo uma experiência de democracia direta para "um modelo de cidade diferente, que seja mais habitável, mais viva e mais comunitária".

Em declarações à agência Lusa, Chiara Moneta, da assembleia de cidadãos "Parar o Hotel no Quartel da Graça", defendeu que é preciso continuar a lutar contra a construção do hotel, apesar do início das obras em março, "com muito atraso" face aos prazos previstos no contrato de concessão do Quartel da Graça, em que se previa a abertura da unidade hoteleira no final de 2022.

Reconhecendo que "não vai ser fácil" travar o projeto do grupo hoteleiro Sana, reforçou que a assembleia de cidadãos vai "tentar até o fim". "A última coisa que queremos é que seja um hotel [...] há muitos hotéis na cidade e o nosso bairro, em particular, já está estrangulado para o turismo", disse.

A iniciativa de protesto vai decorrer no Largo da Graça, onde se prevê uma tarde de fados, nomeadamente com o apoio da Junta de Freguesia de São Vicente, segundo a assembleia "Parar o Hotel no Quartel da Graça", que criou uma petição pública em maio de 2025 e conta já com mais de 4.500 assinaturas.

O presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, André Biveti (PS), disse à Lusa estar "100% de acordo" com as reivindicações do movimento de cidadãos contra o hotel no Quartel da Graça, referindo que há um apoio institucional e logístico à iniciativa de protesto, como licenciamento e equipamento de som.

Para o socialista, é preciso "repensar" o uso do Quartel da Graça, até considerando "o incumprimento do contrato" de concessão, estando a junta a avaliar a situação, inclusive se o motivo é imputável ao grupo Sana, para avançar com "uma providência cautelar para que o hotel não avance". Tal como reivindica a assembleia de cidadãos, André Biveti quer que o Quartel da Graça tenha "outra finalidade, que não seja um hotel, mas sim um equipamento público".

Classificado como monumento nacional desde 1910, o Quartel da Graça integra a lista de imóveis históricos a reabilitar no âmbito do programa Revive, apresentado em 2019 pelo então Governo do PS, que atribuiu a concessão ao grupo Sana, por um período de 50 anos, com uma renda anual de 1,79 milhões de euros, para a instalação de um hotel de cinco estrelas, com 120 quartos.

O investimento estimado para a instalação do hotel foi de 30 milhões de euros, com abertura prevista para o final de 2022, prazo que não foi cumprido, até porque a obra de construção apenas arrancou este ano de 2026.

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