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Primeiro-ministro responde hoje no parlamento sobre a atuação do Governo na sequência do mau tempo

Lusa 07:23
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Montenegro responderá pela primeira vez diretamente à oposição, que criticou a atuação do executivo. Vários partidos chegaram a pedir a demissão da ministra da Administração Interna.

O primeiro-ministro regressa esta quarta-feira ao parlamento para um debate quinzenal que deverá ficar marcado pela resposta do Governo às consequências do mau tempo e já , que esteve no centro das críticas.

Montenegro debate mau tempo no parlamento após demissão no MAI
Montenegro debate mau tempo no parlamento após demissão no MAI Tiago Petinga/LUSA

Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá pela primeira vez na Assembleia da República diretamente à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem nas últimas semanas a demissão da ministra da Administração Interna.

Na terça-feira à noite, foi anunciado através de uma nota oficial divulgada no site da Presidência da República que Marcelo Rebelo de Sousa "aceitou o pedido de demissão" de Maria Lúcia Amaral, "que entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo".

Segundo a mesma nota, a demissão da MAI foi proposta ao chefe de Estado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, "que assumirá transitoriamente" as competências de Maria Lúcia Amaral.

Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

O debate quinzenal abrirá com uma intervenção inicial de Luís Montenegro, e André Ventura -- que retomará o mandato de deputado que suspendeu durante a campanha - será o primeiro a questionar o chefe do Governo, seguindo-se PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN, JPP, antes das bancadas que suportam o Governo, CDS-PP e PSD.

Sobre a resposta ao mau tempo, o primeiro-ministro tem defendido que o Governo fez tudo o que era possível desde o início e que este ainda não é o momento de fazer a avaliação do executivo, mas de responder às situações de emergência no terreno.

Nas duas últimas semanas, o Governo realizou dois Conselhos de Ministros centrados neste tema -- um extraordinário, a 01 de fevereiro, em que aprovou os primeiros apoios a famílias e empresas, quer para ajuda à subsistência quer para reconstrução de habitações e fábricas destruídas, que o primeiro-ministro estimou totalizarem 2,5 mil milhões de euros.

Na quinta-feira passada, além de ter sido prolongada a situação de calamidade até ao próximo domingo, foi formalizada a isenção de portagens em alguns trechos de autoestradas das zonas afetadas pelo mau tempo e aprovado um regime jurídico excecional e transitório de simplificação administrativa e financeira para a reconstrução e reabilitação, sem controlo administrativo prévio.

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, que agora deixa o Governo, foi o alvo preferencial das críticas da oposição, mas estas estenderam-se a outros membros do executivo na gestão da crise, como o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o da Defesa Nacional, Nuno Melo, ou o da Economia e da Gestão Territorial, Manuel Castro Almeida.

O debate quinzenal de hoje realiza-se também três dias depois da eleição do novo Presidente da República, o antigo secretário-geral do PS António José Seguro, que venceu com quase 67% e 3,48 milhões de votos, quando faltam votar 20 freguesias, de oito municípios, que pediram o adiamento do sufrágio para o próximo domingo devido ao mau tempo.

O outro candidato, o presidente do Chega, André Ventura, obteve mais de 1,7 milhões de votos (cerca de 33%), o que o levou a autointitular-se no domingo "líder da direita".

Já o primeiro-ministro defendeu no domingo que "nada mudou" para a governação com esta eleição presidencial e insistiu, por várias vezes, que se abre agora um período de 3,5 anos sem eleições nacionais, referindo-se ao final previsto da legislatura, no outono de 2029.

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