Os bastidores das operações Prolongamento e Fora de Jogo

Os bastidores das operações Prolongamento e Fora de Jogo
António José Vilela 08 de dezembro de 2021

Buscas sobrepostas, mandados sem menção ao processo ou não entregues ao juiz, operações feitas com visados fora do País ou com familiares com Covid e muita, muita acrimónia entre investigadores. Foi assim que tudo aconteceu.

Pouco passava das 12h30 quando mais uma equipa de investigadores do Ministério Público (MP) e da Autoridade Tributária (AT) entraram nas instalações do escritório de advogados e também de algumas empresas de Bruno Macedo, em Braga. O procurador Rosário Teixeira e o inspetor Paulo Silva lideravam a comitiva de seis elementos que subiu ao 2º andar do 301 da rua do Raio. Vinham afogueados por um contratempo: o juiz que os devia acompanhar na operação de buscas, Luís Cardoso Ribeiro, do TIC de Lisboa, tivera de ficar em confinamento porque na véspera a mulher apanhara Covid.

A equipa Teixeira/Silva andava há dias com a operação Prolongamento no terreno, uma espécie de Cartão Vermelho II, e considerava, mais uma vez, o agente de jogadores Bruno Macedo como um dos alvos prioritários. Mas a equipa precisava de um juiz para fazer a busca ao escritório de advogados do pai de Macedo (o empresário também é advogado e trabalhou lá). A solução foi aproveitar o juiz que já lá estava desde as 9h da manhã de 22 de novembro passado a fazer também uma busca aos mesmos alvos no âmbito de outro caso que investiga suspeitas de fuga fiscal e branqueamento de capitais em dezenas de contratos e transferências de jogadores de futebol, a operação Fora de Jogo. Confuso? A história ainda está a começar.

O juiz Carlos Alexandre recebeu então por email a incumbência do colega do TIC de Lisboa, interrompeu por momentos a busca que estava a fazer e virou-se para o procurador e o ajudante. O que se seguiu foi tudo menos um encontro amigável, conforme foi presenciado por dois representantes da Ordem dos Advogados (OA) e numerosos inspetores do fisco, polícias e militares da GNR que ali se encontravam. Alexandre começou logo por ironizar que a operação do procurador já andava a ser seguida pelos media há três dias - “Se calhar, o Garganta Funda não é aquele que todos pensam que é”, disse, referindo-se às acusações veladas, até do MP, de que é ele que passa informações a jornalistas.

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