Vice do FC Porto agrediu e ninguém viu

Vice do FC Porto agrediu e ninguém viu
António José Vilela 01 de dezembro de 2021

É o Ministério Público que o diz: o poder do FC Porto é tão grande que ninguém no camarote presidencial do estádio do Estoril viu a agressão ao presidente da Associação de Futebol de Lisboa.

É desta forma que a procuradora Cristina Henriques classifica o que (não) disseram à justiça as testemunhas que se encontravam, em setembro de 2013, no camarote presidencial do Estádio António Coimbra da Mota, na Amoreira, Estoril. "A audiência de discussão e julgamento foi esclarecedora quanto à influência e ao poder do FC Porto, nada que já não fosse do conhecimento geral, mas o tribunal a quo [significa juiz ou tribunal de instância inferior que produziu a decisão] logrou firmar a sua convicção sobre a prova produzida, de acordo com as regras processuais, atribuindo credibilidade a quem de facto a merecia, o que desde já se louva (...)."

Esta citação consta na resposta de outubro passado do Ministério Público (MP) de Cascais ao recurso do vice-presidente da SAD do FC Porto, Adelino Caldeira, que contestou para o Tribunal da Relação de Lisboa a condenação pelo crime de ofensa à integridade física simples. Na prática, Adelino Caldeira foi condenado em primeira instância – quase oito anos depois da alegada agressão – ao pagamento de uma multa de 2.100 euros a Nuno Lobo, presidente da Associação de Futebol de Lisboa, além das despesas judiciais.

Na resposta ao recurso de Adelino Caldeira, o MP voltou a não poupar o administrador da SAD do FC Porto e também as alegadas testemunhas que apresentara já em julgamento, por exemplo o presidente Pinto da Costa, o selecionador nacional Paulo Bento e outros convidados que assistiram ao jogo de futebol entre o Estoril e o FC Porto que acabou empatado a dois golos na época de 2013/14. "Contradições existem sim nos argumentos utilizados pelo recorrente para tentar abalar a convicção firmada pelo tribunal a quo e tentar fazer valer a versão das testemunhas cuja credibilidade foi validamente questionada pelo tribunal a quo (pelo teor das suas declarações, e ligações ao clube em causa [FC Porto], omissões de incidentes em relatórios...) em confronto com aqueles que atestaram terem presenciado os factos, confirmando a versão do assistente e da solidez da mesma desde o primeiro momento."

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