O dia em que o padre de Ricardo Salgado deu um raspanete à PSP

O dia em que o padre de Ricardo Salgado deu um raspanete à PSP
Carlos Rodrigues Lima 13 de fevereiro

Em prisão domiciliária, o banqueiro foi, em 2015, autorizado a ir à missa, na capela da família, que fica contígua à sua casa, em Cascais. Porém, o tribunal esqueceu-se de informar a PSP.

Nem só de milhões, fraudes e sacos azuis se alimenta a casa de papel do processo do Banco Espírito Santo (BES). Em seis anos de investigação, além de toneladas de papel, o processo do BES também coleccionou alguns episódios pitorescos, como uma vigilância da PSP a Ricardo Salgado no adro da capela da família Espírito Santo. Algo que desagradou profundamente ao padre Avelino Alves.

Noutros tempos, segundo o Evangelho, Jesus, ao chegar ao templo, deparou-se com uma panóplia de comerciantes que, à sua volta, faziam negócio com a fé. Depois de revirar as suas meses e os expulsar, Cristo terá dito: "A minha casa há-de chamar-se casa da oração; mas vós fazeis dela um covil de ladrões".

Habituado à pacatez da capela da família Espírito Santo, o padre Avelino Alves foi surpreendido, em 2015, pela presença da PSP no adro, ainda por cima em dia de missa. Tudo porque, com Ricardo Salgado em prisão domiciliária, tal como tinha sido determinado pelo juiz Carlos Alexandre, ninguém avisou a polícia de que, entretanto, o mesmo magistrado judicial tinha autorizado o banqueiro a sair de casa e a assistir à Eucaristia dominical.

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