Em 23 de abril, o Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu todos os arguidos do processo, acusados de um esquema em torno de contratos fictícios de consultadoria informática.
O Ministério Público (MP) vai recorrer da absolvição de Benfica e Luís Filipe Vieira no caso 'Saco Azul', confirmou este sábado à Lusa a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Luís Filipe Vieira é um dos arguidos do processo 'Saco Azul'Paulo Calado/Record
"O Ministério Público vai interpor recurso da decisão que refere. O processo em causa foi declarado de excecional complexidade, pelo que o prazo para a interposição de recurso é de 60 dias", vincou a PGR, aludindo ao acórdão que absolveu a Benfica SAD, a Benfica Estádio, Luis Filipe Vieira, Domingos Soares Oliveira e Miguel Moreira no caso 'Saco Azul'.
Na sexta-feira, uma fonte ligada ao processo 'Saco Azul' tinha dado indicações à Lusa do encerramento do processo judicial, considerando que o prazo para recurso estaria expirado.
Em 23 de abril, o Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu todos os arguidos do processo 'Saco Azul': Benfica SAD, Benfica Estádio, Luís Filipe Vieira, que liderou o clube lisboeta entre 31 de outubro de 2003 e 15 de julho de 2021, o antigo diretor executivo (CEO) da SAD 'encarnada' Domingos Soares de Oliveira, o ex-diretor financeiro Miguel Moreira, o proprietário da Questãoflexível, José Bernardes, e outros dois arguidos, José Raposo e Paulo Silva.
Na leitura do acórdão, sobre o alegado esquema dos arguidos para, entre 2015 e 2018, com recurso a contratos fictícios de consultadoria informática, retirarem do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, que depois terão, em grande parte, regressado ao clube em numerário, o tribunal apontou dúvidas sobre a acusação.
"Somente com uma perícia técnica forense é que conseguimos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema e que problemas informáticos foram criados. E agora era impossível, nesta fase de julgamento, fazer isso, volvidos 10 anos", apontou o presidente do coletivo de juízes.
Para o tribunal ficaram dúvidas sobre o que foi feito pelo empresário José Bernardes na empresa Questãoflexível, de que era proprietário, uma vez que o MP indicou na acusação a existência de contratos alegadamente simulados e celebrados entre a empresa Questãoflexível e a Benfica Estádio e pagos por esta e pela Benfica SAD.
"A questão tem de ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes para fazer esses trabalhos para o Benfica. Essa é que é a grande dúvida", frisou o juiz presidente, acrescentando que "há argumentos para sustentar que José Bernardes poderá ter trabalhado na [empresa] Questãoflexível para fazer trabalhos para o Benfica, mas também há argumentos contra".
Depois de toda a prova analisada em julgamento, o tribunal considerou que não foi possível, "a esta distância, comparando versões de documentos, com a vaguidão que têm" chegar a uma conclusão livre de dúvidas.
À saída do tribunal, o presidente do Benfica, Rui Costa, manifestou na ocasião alegria por ver ilibada a instituição que lidera de uma suspeita que perdurou por uma década.
"Em muitas áreas, o Benfica foi prejudicado. É evidente que quando um clube com a dimensão do Benfica está num processo desta dimensão, isso prejudica a sua imagem e tira o orgulho ou mete dúvida nos benfiquistas. Hoje devemos estar felizes por isso, porque mais uma vez o Benfica foi ilibado e [o processo] prejudicou, sim, e de que maneira ao longo destes 10 anos", afirmou Rui Costa aos jornalistas.
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