Para Luís Montenegro, os socialistas são os "cristãos novos" das contas certas. Mas há muitas promessas para descolar do trauma da troika.
Luís Montenegro entrou na sua fase "virar a página da austeridade". No discurso de encerramento do Congresso, o líder do PSD apresentou um programa social-democrata, recheado de promessas, que vão de creches e pré-escolar gratuito para todos a uma descida no IRS até ao 8.o escalão, passando por uma pensão mínima de 820 euros para todos os reformados.
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Num discurso bem diferente do seu registo habitual, Montenegro fez alguma auto-análise e reconheceu que as pessoas "esperam mais" de si do que têm demonstrado, falou de apoios para desempregados, defendeu a importância da imigração para a economia e até homenageou as 25 mulheres que morreram vítimas de violência doméstica neste ano.
No final, acompanhando Aníbal Cavaco Silva à porta, era um homem emocionado, com olhos lacrimejantes, ao lado de um bem mais seráfico Cavaco, que recusou fazer comentários políticos e não aplaudiu as promessas eleitorais feitas no palanque pelo Presidente do partido.
Neste discurso, Montenegro tentou superar o trauma da troika e explicou que, para o PSD, as contas certas "não são um fim em si mesmo". Essa fé cega é para "fanáticos" como os socialistas, que descreveu como "cristãos novos" recém convertidos à religião das contas certas.
Depois de ter começado o Congresso agitando o papão do comunismo e do gonçalvismo para atacar Pedro Nuno Santos, Luís Montenegro vestiu o fato de líder moderado e entrou em cena depois de um vídeo com o slogan "unir Portugal".
A plateia gostou. A reação foi entusiástica. Mas também já o tinha sido de manhã quando Montenegro chamava "camarada Pedro" a Pedro Nuno Santos e "cinderela Mortágua" à líder do BE.
A crise política fez renascer o entusiasmo nas bases, sobre as quais ao paira a dúvida do Chega: será que o partido de André Ventura terá un resultado capaz de impedir o PSD de regressar ao poder? É a questão que está na cabeça de quase todos.
Num conclave que foi quase sempre morno (Carlos Moedas foi, a par de Montenegro, dos poucos que animaram os delegados), as conversas de bastidores andam muitas vezes à volta desta dúvida sobre o Chega. Mas também já há muita agitação sobre listas.
As eleições de 10 de março estão à porta. É tempo de mostrar unidade para fora e negociar para dentro os lugares. Esta é a prova de fogo para Luís Montenegro, que deixou uma certeza: só governa se ganhar as eleições.
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