Empresários da Marinha Grande apelam à presença das Forças Armadas na região.
Um grupo empresarial de moldes e plásticos da Marinha Grande, distrito de Leiria, que ficou com duas das cinco empresas "totalmente destruídas", está a montar piquetes durante a noite para evitar o saque, apelando à ajuda das Forças Armadas.
Destruição na Marinha Grande, após passagem da tempestade KristinCARLOS BARROSO/LUSA
"É uma bandidagem. Ontem à noite [quinta-feira] vieram aqui com uma carrinha sem matrícula para tentar saquear as empresas, mas como estamos a fazer piquetes de noite foram-se embora. Já fomos à polícia pedir ajuda, mas dizem que não têm meios disponíveis. Se a tropa [militares] conseguisse fazer segurança e montar piquetes, já seria muito bom e uma grande ajuda", apelou esta sexta-feira o proprietário do grupo TJ Moldes, instalado na Zona Industrial da Marinha Pequena.
Em declarações à agência Lusa, João Faustino explicou que a passagem da depressão Kristin foi uma "tragédia" - destruiu totalmente duas das cinco empresas, "que não têm recuperação", e deixou as outras três "semidestruídas", causando prejuízos de milhões de euros, que ainda não consegue quantificar.
"Durante o dia estamos em operações de limpeza, com funcionários, amigos, familiares e uma grua para os pesos maiores. Durante a noite vamos continuar a montar piquetes, de três, quatro pessoas, para que não nos levem o que restou, máquinas, componentes, cabos, quadros, diverso material. Mas é muito complicado estar a trabalhar, a limpar durante o dia e de noite estar a fazer piquetes", frisou o empresário.
As cinco empresas do grupo TJ Moldes empregavam 112 funcionários.
Já esta sexta-feira, uma outra empresária da Marinha Grande apelou para que o Exército realize patrulhas nas zonas industriais da região e garantiu que as empresas estão a ser saqueadas.
"Precisamos que o Exército nos venha ajudar a proteger as empresas, Marinha Grande, Vieira de Leiria [concelho da Marinha Grande], Leiria, porque as empresas estão a começar a ser saqueadas", disse à Lusa Maria Almeida, coproprietária de uma empresa de moldes na Marinha Grande.
A empresária apontou que uma das empresas no concelho da Marinha Grande já foi alvo de roubos de cablagem.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
A lista dos concelhos abrangidos não foi ainda divulgada.
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