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Margarida Freitas será a nova "primeira-dama" de Portugal

Rita Rato Nunes
Rita Rato Nunes 08 de fevereiro de 2026 às 20:38
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Conheceram-se em 1994 numa festa e desde então que estão juntos. Mas Margarida Freitas lembra que "não há primeiras damas no nosso País” e que irá continuar com a sua vida normal.

A poucos dias de fazer 32 anos, António José Seguro subiu a uma coluna de som numa discoteca da Figueira da Foz para dançar. Havia deixado, há poucas horas, a liderança da Juventude Socialista (JS) e um grupo saído desse congresso de março de 1994 foi “aproveitar a noite”. Às tantas, António Galamba – que esteve com Seguro na liderança da JS, amigo de toda a vida, que o acompanhou na direção do PS, na luta interna contra António Costa e volta a estar ao seu lado nesta candidatura presidencial – chamou-o para o apresentar a Margarida Maldonado Freitas, eleita naquela reunião para a comissão política da JS. Foi essa a primeira vez que o Presidente da República eleito, António José Seguro, conheceu a mulher que será a nova "primeira-dama portuguesa" (apesar de Margarida Freitas lembrar, quando questionada sobre assumir esse papel: "Não há primeiras damas no nosso País").  (Siga tudo sobre as Presidenciais, ao minuto.)    

Margarida acompanha Seguro em campanha
Dina Ventura e Margarida Freitas em passeio
António José Seguro e Margarida Maldonado Freitas
Margarida Maldonado Freitas caminha ao lado do marido
Margarida acompanha Seguro em campanha
Dina Ventura e Margarida Freitas em passeio
António José Seguro e Margarida Maldonado Freitas
Margarida Maldonado Freitas caminha ao lado do marido

“Tozé” e Margarida estão juntos desde então e têm dois filhos, Maria e António. Casaram-se no início de setembro de 2001 – Margarida apenas pelo civil, mas acompanhou Seguro à igreja. António Galamba foi o padrinho de casamento (e Seguro viria a ser o padrinho de casamento de Galamba, a quem apresentou também a esposa deste). Todos os anos há festa para comemorar o casamento, rodeados por amigos, em Porto Covo, o refúgio de férias da família, como o casal contou à SÁBADO, nos últimos dias de descanso, em setembro de 2025, durante uma reportagem de preparação para as Presidenciais. A tradição do local de férias já vem da família de Margarida.

Maria Margarida Nave Nunes Maldonado Freitas, farmacêutica de 54 anos, é descendente de uma família de convictos republicanos das Caldas da Rainha, envolvidos na luta antifascista, que se dedicaram ao negócio das farmácias, e nas últimas gerações com ligações ao PS. “O pai de Mário Soares tinha uma relação muito próxima com o Custódio Maldonado Freitas, o bisavô da Margarida. Estavam unidos pelo anticlericalismo e pelo republicanismo”, conta o socialista Vítor Ramalho, que conhece as duas famílias. “Quando o pai de Mário Soares [João Lopes Soares] esteve preso nos Açores, os bisavós da Margarida ficaram com o Mário Soares um ano em casa, nas Caldas da Rainha”, continua.

A ligação entre as duas famílias continuou, bem como as afinidades políticas. O pai de Margarida, Custódio Maldonado Freitas (tem o mesmo nome do avô, em sua honra) integrou a concelhia socialista nas Caldas e chegou a ser deputado. Margarida, que cresceu num ambiente politizado, não renegou as raízes, mas mantém-se mais afastada. “A Margarida integrava as listas [da concelhia das Caldas] em lugares de pouco destaque. Quando fui presidente da mesa da comissão política da distrital de Leiria, participava nas reuniões e chegou a fazer parte da mesa, mas depois dedicou-se mais ao associativismo”, lembra o antigo dirigente socialista José Miguel Medeiros.

Margarida Maldonado Freitas fez parte da direção da Associação Nacional de Farmácias, enquanto geria duas farmácias de família, que herdou (motivo pelo qual Seguro assinou sempre, enquanto deputado, uma declaração de interesses quando se debatia este setor na Assembleia da República). Uma destas farmácias, entretanto desativada, é hoje simbolicamente a sede da campanha presidencial de Seguro nas Caldas da Rainha.

Margarida aparece ao lado do marido nos momentos essenciais da candidatura. “É uma mulher discreta, mas sempre presente e solidária”, descreveu-a Seguro, no livro Um de Nós, de Rui Gomes, publicado em outubro.

António José Seguro quer continuar a viver nas Caldas da Rainha com a mulher, que não tenciona reclamar o gabinete a que terá direito na Casal Civil se o marido for eleito. Margarida Maldonado Freitas quer manter a sua atividade profissional nas Caldas da Rainha. Só quando houver necessidade, Seguro equaciona dormir na residência oficial em Belém. A família tem ainda casa em Lisboa, mas esta está por conta dos dois filhos, estudantes universitários na capital.

Com Diogo Barreto