Marcelo elogia Felipe VI como "símbolo excepcional de unidade e de visão"

Lusa 18 de abril de 2018
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Marcelo Rebelo de Sousa falava no último dia da sua visita de Estado a Espanha.

O Presidente da República elogiou hoje o rei de Espanha, Felipe VI, considerando-o "um símbolo excepcional de unidade, de visão, de cultura e de humanidade", num discurso em que voltou a apelar à defesa da democracia na Europa.

Marcelo Rebelo de Sousa falava no último dia da sua visita de Estado a Espanha, numa sessão solene na Universidade de Salamanca, que celebra os seus 800 anos, no início da qual o coro universitário cantou "Acordai", com letra de José Gomes Ferreira e música de Fernando Lopes Graça.

A meio do seu discurso, quando falava da Europa, o chefe de Estado aproveitou o título daquela-canção heróica para lançar um apelo: "Acordai para a defesa da liberdade e dos direitos humanos, acordai para a crença no Estado de direito, acordai para a convicção nos valores da democracia".

"Temos, pois, de ter a coragem de defender a vitalidade destas ideias, que formam o rico património imaterial da Europa", acrescentou o Presidente da República, que na terça-feira fez um discurso nas Cortes Gerais de Espanha dedicado à democracia, defendendo que é preciso lutar por ela "todos os dias" e "recriá-la sem cessar".

Hoje, no final da sua intervenção em Salamanca, exaltou a sua "gloriosa universidade" e deixou "a última palavra" para o rei de Espanha: "Para agradecer o ser um símbolo excepcional de unidade, de visão, de cultura e de humanidade que todos nós admiramos".

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, nesta visita de Estado de três dias, as autoridades portuguesas e espanholas reafirmaram "o valor de uma relação única que existe entre Portugal e Espanha".

O chefe de Estado congratulou-se por encerrar esta deslocação ao país vizinho "em Salamanca, em Castela e Leão, nesta universidade grande entre as grandes, numa região de fronteira, que, por sua vez, simboliza o encontro entre as terras de Portugal e de Espanha".

"No fim de uma visita de Estado realizada com emoção, volto a olhar para o futuro. Temos o dever de o erigir em conjunto, edificando-o com duas línguas de alcance global, reforçando ainda mais umas relações que alcançaram, nas últimas décadas, elevados umbrais de excelência", reforçou, em castelhano.

Acompanharam o Presidente da República nesta visita ao Reino de Espanha, dividida entre Madrid e Salamanca, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e os deputados Carla Barros, do PSD, Luís Testa, do PS, António Carlos Monteiro, do CDS-PP e Rita Rato, do PCP - o Bloco de Esquerda optou por não se fazer representar.

Renunciamos ao nosso ser quando ficamos de costas voltadas
O rei de Espanha, Felipe VI defendeu hoje a importância das relações entre Portugal e Espanha, considerando que os dois países renunciam à sua identidade quando se fecham e ficam de costas voltadas.

Felipe VI deixou esta mensagem durante uma sessão solene na Universidade de Salamanca, na Comunidade de Castela-Leão, perante o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que hoje termina uma visita de Estado de três dias a Espanha.

"Renunciamos ao nosso ser quando nos fechamos e ficamos de costas voltadas, e somos fiéis a nós próprios quando, como hoje, nos abrimos ao mundo e, a partir das nossas identidades, nos sabemos reconhecer na nossa vocação universal", afirmou o monarca espanhol, num excerto do seu discurso em que falou em português.

Depois, agradeceu ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, "a sua amizade, o seu carinho e a sua vocação ibérica".

"Obrigada, Presidente, e espero que tenhamos muitas mais ocasiões de nos ver, de partilhar e de trabalhar por Espanha, por Portugal e por esta grande Península Ibérica que temos em comum", acrescentou.

Ao longo da sua intervenção, em castelhano, Felipe VI enalteceu a ligação da centenária Universidade de Salamanca, fundada há 800 anos, à cultura portuguesa e à Universidade Coimbra, e elogiou o "imenso legado" dos exploradores e pensadores ibéricos do tempo dos descobrimentos marítimos.

"É muito o que nós, espanhóis e portugueses, portugueses e espanhóis, demos à história da humanidade. E hoje, desde as nossas respetivas identidades, partilhando um mesmo espaço geográfico - esta Península Ibérica - e a nossa pertença comum à União Europeia, formamos parte de um mesmo conjunto de valores e continuamos a contribuir, dentro do possível, para o desenvolvimento e de uma humanidade mais pacífica e mais coesa", considerou.

Terminada esta sessão solene, o Presidente da República e o rei de Espanha tiveram pela primeira vez durante esta visita de Estado de três dias - condicionada pelas regras do protocolo e da segurança da Casa Real espanhola - um breve momento de contacto com a população, cumprimentando um grupo de pessoas à saída da Universidade de Salamanca.
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