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Jorge Pinto: "Mil vezes ser conhecido pela honestidade do que por tentar abafar um caso de assédio"

Candidato às presidenciais 'atira' a Cotrim de Figueiredo.

O candidato presidencial Jorge Pinto criticou quinta-feira João Cotrim Figueiredo afirmando que prefere "mil vezes ser conhecido pela honestidade do que por tentar abafar um caso de assédio e atacar jornalistas que o tentam investigar".

Jorge Pinto, candidato às presidenciais
Jorge Pinto, candidato às presidenciais MARCOS BORGA/LUSA Assinatura:MARCOS BORGA

No discurso que encerrou o comício desta noite na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, Jorge Pinto voltou a abordar os seus apelos para que os democratas "votem livremente" para afirmar que "só consegue dormir de consciência tranquila se disser aquilo que vai na alma", frisando que está "muito confortável em ser conhecido pela honestidade" e associando-a a críticas a João Cotrim Figueiredo e André Ventura.

"Mil vezes [ser honesto] do que ser conhecido por ser mentiroso, por ser racista, por ser xenófobo. Mil vezes isso do que ser conhecido por me dizer liberal mas andar num hotel meio às escondidas a abraçar fascistas. Mil vezes ser conhecido pela honestidade. Mil vezes ser conhecido por ser honesto do que me dizer liberal e ter dúvidas em relação ao aborto e de que isso é uma decisão única e exclusivamente das mulheres", atirou, num momento em que subiu o tom de voz.

E acrescentou, referindo a denúncia de assédio contra o liberal que marcou os últimos dias de campanha: "Mil vezes ser conhecido pela honestidade do que por tentar abafar um caso de assédio e atacar os jornalistas que o tentam investigar".

Jorge Pinto disse "conviver mesmo muito bem com os artigos de opinião que possivelmente estarão nos jornais" de "pessoas para quem já ninguém tem paciência" a falar sobre se desistiu ou não.

O candidato apoiado pelo Livre garantiu que veio "para ficar", lamentando, posteriormente, a pouca exposição da sua candidatura e ironizando que "deveria ter dito mais vezes" que ia desistir para que os jornalistas aparecessem na campanha e tivesse mais tempo de antena.

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Repetindo o que disse à chegada ao comício, Jorge Pinto mostrou-se surpreendido por "não ser óbvio" o apelo que deixou para que os militantes do Livre "votassem livremente", acrescentando que a repercussão dessas palavras se deve ao facto de não recorrer ao "discurso redondo, pastos que outros candidatos e outros políticos usam".

Jorge Pinto reiterou ainda que a "Presidência da República em Portugal terá desafios gigantescos pela frente" e que é preciso, num país "demasiado virado à direita", começar a "ter contrapesos na balança".

O candidato insistiu que está de "consciência muito tranquila" porque ninguém como ele "falou da necessidade de discutir uma convergência nas candidaturas progressistas e de esquerda" nestas presidenciais.

"Esse apelo, digo foi recebido com ceticismo, com ironia ou até com menosprezo portanto vos digo, e uma vez mais, com toda esta transparência, que vos garanto vai continuar no dia 19 e esta honestidade não terá sido por esta candidatura que não houve uma convergência", sublinhou.

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