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Presidenciais: Jorge Pinto de "consciência tranquila" por continuar na corrida

Lusa 14 de janeiro de 2026 às 19:49

Jorge Pinto argumentou que a "política não é matemática" e que não é possível prever que fosse haver uma transferência direta de votos de um candidato para outro.

O candidato presidencial Jorge Pinto manifestou-se esta quarta-feira de "consciência tranquila" por não desistir da corrida a Belém, argumentando que os eleitores sabem ler o atual cenário e que a "política não é matemática".

Jorge Pinto não abandona a corrida a Belém
Jorge Pinto não abandona a corrida a Belém HUGO DELGADO/LUSA

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Centro de Experimentação Artística (CEA), na Moita, o candidato apoiado pelo Livre disse estar "de consciência tranquila" por ir até ao fim nestas eleições presidenciais, argumentando que tem trazido ideias importantes para o debate político e frisando que "os portugueses são inteligentes e sabem ler os cenários políticos e sabem o que querem".

"Da minha parte, estou de consciência tranquila porque tenho feito diariamente a necessária transposição daquilo que é algo que me inquieta, que eu acho que é algo que inquieta muitos portugueses para o debate político", sublinhou.

Sobre se continuará de consciência tranquila se António José Seguro não passar a uma eventual segunda volta e o seu número de votos permitisse colocar o socialista entre os dois mais votados, Jorge Pinto argumentou que a "política não é matemática" e que não é possível prever que fosse haver uma transferência direta de votos de um candidato para outro.

"Confio muito na inteligência dos portugueses quando tiverem de escolher aquele que acham que é o melhor Presidente da República para estes tempos de tanta incerteza que teremos pela frente", afirmou.

Questionado sobre se a sondagem da Intercampus hoje divulgada, Jorge Pinto insistiu que este tipo de estudo "valem o que valem" e dependem do momento em que são feitos e disse querer focar-se no facto da sua candidatura conseguir marcar a agenda e trazer para debate assuntos como o SNS ou a defesa da Constituição.

Depois de esta manhã ter associado as palavras de António José Seguro à sua candidatura, Jorge Pinto voltou ao assunto para dar as "boas-vindas a bordo" aos candidatos que "entraram a tempo" na discussão sobre a lei fundamental.

Jorge Pinto comentou também a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na campanha de Luís Marques Mendes afirmando que o líder do executivo está a "dar o sinal" de que Mendes é "quem estará mais próximo de si e do seu Governo".

"Eu não creio que ter um Presidente da República que seja íntimo ideologicamente e partidariamente do primeiro-ministro seja bom para o país no momento em que o país já está demasiado virado à direita", afirmou, acrescentando que Mendes a estar ou a querer estar próximo do Governo.

O candidato a Belém apoiado pelo Livre sublinhou que já se ouviu nesta campanha "a vontade dessa proximidade e vontade de trabalhar quase de olhos fechados com o Governo".

"Quero um Presidente da República de olhos abertos e que, tendo os olhos abertos, esteja disposto a enviar para o Tribunal Constitucional os diplomas que têm de ser enviados, esteja disposto até a usar do seu veto político quando ele for necessário para defender os portugueses e que esteja disposto a recorrer a todas as ferramentas que a Constituição legitimamente dá ao Presidente da República para defender a própria Constituição", resumiu.

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