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Inês Bichão partilhou caso de assédio sexual com autora na Feira do Livro: "Ela chorou, aflita"

Maria Faustino estava a apresentar um livro quando Inês Bichão lhe disse que foi alvo de assédio sexual por parte de alguém de influência da IL. À SÁBADO a psicóloga recorda esse momento.

, a ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal que de assédio sexual, já tinha partilhado o caso de abuso, de que alegadamente foi alvo, na Feira do Livro que ocorreu a 13 de junho de 2024. Na altura, Maria João Faustino estava a apresentar o livro Metoo quando foi confrontada com este episódio. À SÁBADO, a psicóloga recorda agora a situação como "muito intensa" e "inesperada". 

Inês Bichão acusa João Cotrim de Figueiredo de assédio sexual
Maria João Faustino investiga violência sexual
João Cotrimde Figueiredo e Inês Bichão
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"Estávamos a fazer uma apresentação e foi quando íamos assinar os livros que uma moça veio ter comigo e começou a chorar muito aflita", lembra. "Foram minutos muito intensos e só me lembrei de lhe agarrar as mãos e dizer 'estamos aqui, está tudo bem. A culpa não é tua'".

Na altura, Maria Faustino não sabia que se tratava de Inês Bichão - a ex-assessora que acusa o candidato presidencial de assédio sexual - nem tão pouco lhe foi contado quem era o alegado agressor: sabia apenas que era alguém de influência dentro da IL. "Ela não me disse nomes, nem eu pedi."

A psicóloga recorda Inês Bichão como uma "mulher muito jovem (...) fragilizada" e que, naquele momento, estava "muito emotiva". Garante também que, naquele desabafo, a ex-assessora nunca lhe falou de outros casos de agressão sexual dentro do partido. Apesar de ter recebido esta denúncia, Maria Faustino afirma que em momento algum a aconselhou a procurar as autoridades. "Eu não sugeri nada porque sei o que as mulheres podem sofrer com isso. O que posso fazer apenas é dizer que existem possibilidades de acompanhamento por parte de associações."

Apesar de Inês Bichão ter alegadamente denunciado este caso à Iniciativa Liberal em 2023 - afirmação esta que é  -, só agora é que se soube que a mulher em questão se tratava da ex-assessora da IL. À SÁBADO, a psicóloga acredita que foram as sondagens - que colocam Cotrim de Figueiredo em terceiro lugar nas presidenciais - que levaram Inês Bichão a ter coragem para partilhar a sua história com os seus amigos chegados no Instagram.

"Enquanto académica especializada em violência sexual posso enquadrar que é muito natural que uma campanha de embelezamento seja um gatilho e reative uma reação, que noutras circunstâncias não aconteceria", explica.

Cotrim de Figueiredo nega, no entanto, as alegações e estranha que estas tenham surgido num momento em que se encontra bem posicionado nas sondagens. Sobre o timing em que surgiram as declarações, a psicóloga diz que "é perfeitamente natural". "As pessoas descredibilizam muito isto e dizem que é oportuno, mas este timing é perfeitamente natural. Foi um episódio traumático."

Maria Faustino acredita ainda que esta situação só irá beneficiar Cotrim de Figueiredo nas eleições e lamenta que a população não leve a sério este tipo de denúncias. "É tão perverso que a ter impacto [nas eleições] só o irá beneficiar. Vi até uma publicação [do candidato presidencial] em que, nos comentários, as pessoas mostravam solidariedade e algumas até diziam que só iam votar nele por causa das alegações que tinham sido feitas."

Como consequência, Cotrim de Figueiredo garantiu que vai apresentar uma queixa em tribunal por difamação - uma ação que na ótica da psicóloga "é cada vez mais comum". "Esta tem sido a resposta padrão perante a quebra de silêncio das mulheres e está até documentado na literatura científica e sinalizado num relatório da ONU. É uma forma de retaliar e de sinalizar o que espera às mulheres que façam o mesmo."

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