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Gouveia e Melo critica candidatos com atitude "miss mundo" e promessas de amizade com Governo

Lusa 10 de janeiro de 2026 às 20:26
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Perante os jornalistas, antes de visar indiretamente alguns dos seus opositores na corrida a Belém, falou sobre os idosos cujas pensões não lhes permitem viver com dignidade.

O candidato presidencial criticou hoje os seus adversários com atitude "miss mundo" e que prometem que, se forem eleitos, vão ser amigos do Governo, contrapondo que é preciso exigência num país com baixas reformas e problemas sociais.

Gouveia e Melo
Gouveia e Melo JOSÉ SENA GOULÃO/ LUSA

Gouveia e Melo falava aos jornalistas a meio da sua visita a Santo Tirso, num café, em que tinha na sua mesa o ex-presidente do PSD Rui Rio, também mandatário nacional da sua candidatura, e o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais.

Perante os jornalistas, antes de visar indiretamente alguns dos seus opositores na corrida a Belém, falou sobre os idosos cujas pensões não lhes permitem viver com dignidade.

"Temos de olhar para isso. Todos devemos acabar as nossas vidas com dignidade. Há uma coisa que não é feita: pressão constante sobre um determinado tipo de problemas, exigência, responsabilização -- uma atitude que é muitas vezes esquecida, até mesmo pelos candidatos", criticou.

De acordo com o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, alguns dos seus adversários "adotam muito uma posição tipo miss mundo", segundo a qual "é tudo uma maravilha".

"Já há candidatos a dizer que se chegarem em Belém vão ser amigos do Governo, porque têm medo, eventualmente, que alguém pense que vão criar instabilidade", declarou, numa farpara que, aparentemente, foi dirigida a Cotrim Figueiredo, que escreveu recentemente uma carta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Gouveia e Melo referiu a seguir que "ninguém quer criar instabilidade" em Portugal.

"Porém, temos de ser exigentes, exigentes connosco próprios e com os outros que servem a causa pública, porque é isso que é verdadeiramente servir a causa pública", sustentou.

Interrogado pelos jornalistas sobre a razão de atacar o antigo líder do PS, que alguns estudos de opinião colocam em situação de passar à segunda volta das presidenciais, o almirante manifestou-se irritado com a questão.

"Pelos vistos, não posso fazer críticas a nenhum tipo de comportamentos, porque os senhores encontram sempre uma mudança de estratégia. Eu afirmo a minha estratégia e um dos traços da minha personalidade é a minha capacidade de decisão, a minha capacidade de enfrentar o risco e de rigor", reagiu.

E prosseguiu; "Não gosto de uma estratégia de não dizer nada, de dizer generalidades, de evitar problemas, a que eu chamo de estratégia miss mundo. Portanto, comigo não contam com essa estratégia".

Questionado se esse seu tipo de mensagens apresenta alguns pontos comuns com a linha de atuação do seu adversário, André Ventura, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada argumentou que não anda a ouvir o presidente do Chega.

"Ele [André Ventura] dirá o que achar muito bem, eu digo o que acho muito bem. O meu discurso é moderado e equilibrado. Estou no centro ideológico, sou uma pessoa equilibrada e moderada. E se não fosse equilibrada e moderada não tinha chegado ao topo das Forças Armadas, porque teria sido, digamos, eliminado no processo de progressão", sustentou.

Para Gouveia e Melo, porém, ser moderado "não significa ser indeciso, ou evitar decidir".

"Ao longo da minha vida, tive de tomar muitas decisões. Nunca estive no conforto de poder fugir a decisões. E muitas vezes as minhas decisões tinham minutos para serem tomadas", acrescentou.

Perante os jornalistas, o almirante invocou ainda a sua ação enquanto coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.

"Durante o processo da pandemia, houve um conjunto de decisões que tiveram de ser tomadas, nunca me furtei às decisões. Tive de conduzir o processo da melhor forma, com os melhores consensos e com o melhor equilíbrio. Mas nunca houve indecisão", reforçou.

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