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Fundador e ex-deputado entre os 60 militantes que abandonam o Bloco de Esquerda

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"O nosso Bloco acabou", pode ler-se num comunicado em que militantes anuncisam abandonar o partido.

Um fundador e outros 59 militantes anunciaram a sua desfiliação do Bloco de Esquerda. Entre os militantes que saem estão membros que estiveram na génese do partido, ex-deputados, autarcas e dirigentes nacionais. A saída foi anunciada num comunicado em que criticam a liderança de Catarina Martins e Mariana Mortágua que, segundo o texto, levaram à perda da identidade original do partido. “Deixamos de ser bloquistas porque o nosso Bloco acabou“, assinam.

Convenção do Bloco de Esquerda com debate sobre erros e futuro político
Convenção do Bloco de Esquerda com debate sobre erros e futuro político Vítor Mota

Entre os militantes que anunciaram a saída do partido estão o histórico da UDP Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares. Os militantes lamentam o “fim de um projeto que se destinava a unir amplos setores da sociedade por uma alternativa contra a hegemonia neoliberal, tendo como horizonte a radical transformação da sociedade”.

“O Bloco a que aderimos e ajudámos a construir com entusiasmo e empenho já não o é. Sabendo que muitos dos que ainda permanecem são genuínos militantes por uma esquerda de combate”, referiram ainda. “A maioria da direção afastou-se do pulsar e do sentimento popular, burocratizou-se e institucionalizou-se, ficou insensível à crítica interna e sem projeto político autónomo credível”, sintetizaram.

Sobre o período em que o BE assinou um acordo parlamentar com o PS de António Costa, estes críticos consideram que houve uma ilusão do “restrito núcleo dirigente”, que “cedo transformou um acordo fruto das circunstâncias numa estratégia que o fez perder autonomia política”. “Da resposta política certa, o Bloco embarcou acriticamente na ‘geringonça’. Afeiçoou-se à ideia de doces entendimentos e, a despeito e contra o seu próprio programa transformador, colocou como objetivo central, proclamado na Convenção de 2019, a participação no Governo, numa triste rendição a uma social-democracia, por sua vez dissolvida no neoliberalismo”, condenaram.

O apoio à guerra da Ucrânia, em vez da defesa com toda a urgência de um plano de paz, com medo de perder votos, sob o pretexto de que era uma luta pela autodeterminação, escondeu toda a intervenção da NATO a Leste que acabou por ser argumento para a condenável invasão russa”, criticam os apoiantes que agora abandonam o partido.