A menos de um mês da data prevista para a greve geral, dezenas de sindicatos já anunciaram a sua vontade de se juntar ao protesto.
Enfermeiros, professores, médicos, funcionários da administração pública. Continuam a juntar-se classes profissionais com vontade de aderir à greve geral convocada para 11 de dezembro e contra a reforma da legislação laboral. A greve geral a ser preparada é a primeira paralisação que junta a UGT e a CGTP (as duas centrais sindicais portuguesas) desde junho de 2013. Mas apesar da aparente adesão, as centrais sindicais garantem que a greve geral pode ser evitada se o Governo recuar na reforma.
Professores, médicos e enfermeiros aderem à greve geral em PortugalLUSA / MANUEL DE ALMEIDA
A CGTP entregou esta segunda-feira o pré-aviso de greve no Ministério do Trabalho, em Lisboa. A greve geral foi anunciada a 8 de novembro pelo secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, no final da marcha nacional contra o pacote laboral, que levou milhares de trabalhadores a descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa, em protesto contra as alterações propostas pelo Governo de Luís Montenegro. Na quinta-feira, a UGT aprovou por unanimidade a decisão de avançar em convergência com a CGTP, incluindo, assim, o voto favorável dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD).
Desde o aviso de greve que várias classes de profissionais manifestaram vontade de se juntar. A Fenprof, maior sindicato de professores, já se associou, bem como a FNAM, que representa os médicos, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses ou os bancários, através do MAIS Sindicato, são alguns dos exemplos.
O Governo tem criticado este pré-aviso de greve e terá apresentado uma nova proposta à UGT. No documento inclui avanços como a reposição dos três dias de férias por assiduidade, ajustes à licença de amamentação e a manutenção dos três dias de luto gestacional para o pai. O Executivo não recua, contudo, noutras matérias consideradas críticas pelas centrais sindicais: banco de horas individual, alargamento dos contratos a prazo, flexibilização da reintegração em caso de despedimento ilícito e revogação de limitações ao outsourcing.
Tiago Oliveira, líder da CGTP, já afirmou: "Não vamos aceitar que se reverta uma ou outra matéria e que se permitam que as restantes 98 ou 99 matérias deste pacote laboral, que contém mais de 100 matérias continuem a ser colocadas em cima da mesa porque todas elas são profundamente negativas para o mundo de trabalho". Por isso a central sindical apela ao Governo que retire o anteprojeto de reforma da legislação laboral da discussão.
Mário Mourão, secretário-geral da UGT, admitiu que esta central poderá recuar caso o Governo “pare, escute e reflita”. O aviso, contudo, é claro: se, nas reuniões marcadas para 19 de novembro e 10 de dezembro, o Executivo voltar a apresentar um documento semelhante ao apresentado recentemente - que Mário Mourão classifica como “inócuo” - a UGT ponderará “marcar dois dias de greve em vez de um”.
O presidente da Assembleia da República, Pedro Aguiar Branco, considerou ser "uma matéria consensual" a necessidade de haver alterações na área laboral e defendeu o diálogo entre sindicatos, Governo e organizações empregadoras. "O diálogo e o debate devem ser esgotados ao máximo antes de haver uma situação de greve. Acredito e espero que esse espaço de diálogo possa ainda acontecer e que tenha o seu resultado mais eficiente no que diz respeito a poder a greve não acontecer", apelou.
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Os momentos mais perigosos da História não são aqueles em que tudo colapsa, mas aqueles em que todos fingem que nada está a mudar. Em 1026, ninguém previa a avalanche de transformações que se seguiria.