Pelo menos 62% dos inquiridos considerou que Portugal tem mais imigrantes do que realmente tem. Imigrantes do subcontinente indiano são os mais repudiados.
Ainda que não se possa traçar uma tendência linear de crescimento, os portugueses têm, de forma geral, uma atitude predominantemente negativa em relação à imigração, revela o mais recente barómetro da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), baseado em entrevistas conduzidas a 1.072 cidadãos maiores de idade, residentes em Portugal e de nacionalidade portuguesa à nascença.
Lusa
O estudo, intitulado "Barómetro da Imigração: O que pensam e sentem os residentes em Portugal sobre a imigração e os imigrantes?", conclui que "uma parte significativa da população expressa oposição à imigração", no ano em que Portugal ultrapassou a marca de um milhão de imigrantes. Os portugueses, revela o estudo, percecionam-na "mais como uma ameaça do que como uma oportunidade, e como trazendo mais desvantagens do que vantagens".
De acordo com as conclusões, cerca de "68% dos inquiridos pensa que a política de imigração em vigor em Portugal é demasiado permissiva em relação à entrada de imigrantes no País", e que uma política que "garantisse uma entrada muito dificultada/regulada" seria melhor para Portugal. Mais de dois terços dos inquiridos acreditam ainda "que os imigrantes contribuem para o aumento da criminalidade e que contribuem para manter os salários baixos no País".
A população em relação à qual se registaram mais atitudes desfavoráveis foi a de imigrantes do subcontinente indiano, que os autores destacaram como "alvo de elevada oposição", "fortemente associado a mais desvantagens" e "percebido como o mais diferente pela população portuguesa". De acordo com o barómetro, quase dois terços dos portugueses defendem "que o número de imigrantes oriundos desta região deve diminuir", com o maior repúdio, dentro destes, reservado aos "imigrantes que vivem aqui sem a família".
O cenário não é, no entanto, uniformemente negativo. Apesar da atitude desfavorável, a maioria dos inquiridos "concorda com a concessão de direitos, nomeadamente o direito a votar como os portugueses, o direito ao reagrupamento familiar e o direito à naturalização", em particular para o grupo de imigrantes encarado com maior benevolência: os "provenientes dos países ocidentais", como Espanha, Reino Unido, França ou Estados Unidos.
Os investigadores sublinham que não é possível traçar uma tendência clara de aumento de sentimentos desfavoráveis nos últimos 20 anos. Ainda que o repúdio dos imigrantes do subcontinente indiano tenha aumentado exponencialmente (não há dados anteriores a 2024), registou-se este ano o mesmo valor para imigrantes brasileiros do que o de 2004 (52%), bem como uma diminuição do repúdio em relação aos provenientes de países africanos (55% para 47%), Europa do Leste (53% para 48%), China (54% para 52%) e, principalmente, países ocidentais (47% para 26%).
O barómetro permitiu ainda traçar um perfil das atitudes perante a imigração: os inquiridos que se manifestaram negativamente em relação à imigração tendem a demonstrar maiores perceções de ameaça, e a sobrevalorizar com "forte enviesamento" o número de imigrantes em Portugal - um "forte preditor de atitudes" perante migrantes. Em média, os inquiridos afirmaram que 30,3% da população residente em Portugal era migrante - muito acima dos cerca de 10% registados este ano. Pelo menos 62% dos inquiridos considerou que Portugal tem mais imigrantes do que realmente tem.
Por outro lado, indivíduos com atitudes mais positivas perante a imigração e os imigrantes tendem a demonstrar mais "confiança interpessoal" (definido como acreditar "que em geral se pode confiar nos outros") e acreditar "que os imigrantes contribuem positivamente para a economia e são contribuintes líquidos para a Segurança Social".
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