Sábado – Pense por si

SIGA-NOS NO WHATSAPP
Não perca as grandes histórias da SÁBADO

Durante debate quinzenal, Montenegro acusou Ventura de ser "o chegano mais socialista"

Renata Lima Lobo 29 de abril de 2026 às 17:09
As mais lidas

O primeiro-ministro e o líder do Chega trocaram acusações em torno do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).

Um dia após a aprovação do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), o primeiro-ministro regressou ao Parlamento para o debate quinzenal, marcado pelo programa de apoios apresentado três meses após o comboio de tempestades que devastou várias localidades do país. Montenegro e Ventura chocaram de frente durante as suas interpelações.

Luís Montenegro usa da palavra no debate quinzenal
Luís Montenegro usa da palavra no debate quinzenal JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O líder do partido Chega descreveu como "um fracasso" todos os planos apresentados pelo Governo, indicando que "20 mil pessoas continuam sem comunicações", "70% dos apoios aos agricultores" não foram pagos, e "dois terços dos apoios que tinham sido prometidos na sequência destas tempestades ficaram ainda por pagar". Sobre a proposta do Governo de criar um regime de seguro obrigatório para riscos sísmicos - ressalvando a garantia de apoio do Estado para quem tenha rendimentos mais baixos - Ventura ironizou: "Não queremos um Governo, queremos uma companhia de seguros. Saiam todos e metam aí a Fidelidade, se calhar fará melhor que vocês, porque se calhar resolverá melhor os assuntos dos portugueses".

Em resposta, o primeiro-ministro acusou André Ventura de não possuir "características para ter responsabilidades governativas", uma vez que, acusa Montenegro, "não gosta de planear, não gosta de ponderar e de decidir com base em critério, é mais do estilo dispara primeiro e vai pensar a seguir". O líder do Governo defendeu que os apoios devem ser distribuídos com "critério e rigor", empurrando os argumentos de Ventura para uma área ideológica mais à esquerda: "Com esse discurso, arrisca-se mesmo a ser o chegano mais socialista". O primeiro-ministro desafiou o Chega a apresentar as suas propostas para ajudar as vítimas das tempestades, em vez de "apenas atirar fogacho para o ar, disparar para todo lado e no fim do dia não saber, ou saber bem, que a consequência disso seria mais uma vez o desequilíbrio, pago pelas pessoas e pelas empresas".

Com Lusa