Saúde

Diretor de Obstetrícia de Setúbal: "Ser internado por exaustão não é ser resiliente, senhora ministra?"

Diretor de Obstetrícia de Setúbal: 'Ser internado por exaustão não é ser resiliente, senhora ministra?'
Lucília Galha 26 de novembro de 2021

José Pinto de Almeida está demissionário desde agosto a gerir um serviço que deveria ter 23 pessoas e tem 11. Em breve serão só 9. Em agosto chegou a fazer três turnos de 24 horas numa semana e este ano já terá mais de 700 horas extra. Considerou as declarações da tutela "ofensivas".

Na quarta-feira, 24 de novembro, Marta Temido afirmou que uma das formas de superar as falhas no Serviço Nacional de Saúde passaria por contratar "médicos mais resilientes". A ministra da Saúde estava a ser ouvida numa audição da Comissão Parlamentar de Saúde sobre as dificuldades que o Centro Hospitalar de Setúbal enfrenta – onde, no passado mês de outubro, 87 diretores e chefes de serviço anunciaram a intenção de se demitirem.

Um dia depois, quinta-feira, apresentou um pedido de desculpas, mas já chegou tarde para evitar a onda de indignação manifestada pela classe médica e restantes profissionais de saúde em geral. José Pinto de Almeida, diretor do serviço de Obstetrícia do Centro Hospitalar de Setúbal – o primeiro a apresentar a sua demissão, ainda em agosto –, considerou as declarações "ofensivas" e deixou uma pergunta à ministra: "O que se pretende é que as pessoas trabalhem até morrerem em funções?"

Leia aqui o seu testemunho de "resiliência":  

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