"Se a ideia era promover um debate sobre a credibilização da classe política, o tiro de partida foi dado no pé”, acusou o socialista.
O deputado socialista Pedro Delgado Alves criticou novamente o discurso do Presidente da Assembleia da República na sessão solene do 25 de Abril, num artigo de opinião no Público, em que acusa José Pedro Aguiar-Branco de "ter reduzido transparência a chavão e contribuído para desinformação sobre lei".
Pedro Delgado AlvesLusa
“A intervenção de José Pedro Aguiar-Branco desvalorizou a importância do tema, reduzindo-o à categoria de chavão, e contribuiu para a desinformação sobre a lei, caricaturando-a e apresentando exemplos sem correspondência nas normas em vigor, legitimando a narrativa de recuo da transparência da vida pública”, escreveu Delgado Alves no diário.
“Se a ideia era promover um debate sobre a credibilização da classe política, o tiro de partida foi dado no pé”, defende o vice-presidente da bancada do PS que após a sessão solene do 25 de Abril no Parlamento virou as costas em sinal de protesto no final do discurso do presidente da Assembleia da República.
O presidente da Assembleia da República criticou no seu discurso do 25 de Abril a proliferação de legislação para limitar o exercício de cargos políticos, advertiu que os remédios populistas fecham a política e defendeu que o serviço público precisa dos melhores.
Uma intervenção em que criticou a legislação sobre incompatibilidades e impedimentos aplicadas aos titulares de cargos políticos, sobretudo de deputados, que foi aplaudida sobretudo pelas bancadas do PSD e Iniciativa Liberal, mas que mereceu o protesto do vice-presidente da bancada socialista Pedro Delgado Alves: Levantou-se de costas após o fim do discurso do presidente da Assembleia da República.
"O discurso do senhor presidente da Assembleia da República desvalorizou o trabalho que se tem feito ao longo de muitos anos para garantir a transparência e o funcionamento das instituições, caricaturou a forma como funciona o controlo de transparência, as incompatibilidades, as portas giratórias, algo que é exigido pela sociedade como uma forma de credibilizar o exercício de funções públicas, mistura coisas que são interesse público com interesse privado, prestou um mau serviço na intervenção que fez hoje", criticou logo no sábado.
De acordo com o deputado do PS, "nas sessões solenes não há espaço, normalmente, para protestos ou para coisas similares", tendo sido esta forma que encontrou de deixar a sua nota de desagrado. "É sabido que tenho trabalhado muito nestes temas, se calhar levo a peito, de forma mais próxima, uma forma tão agressiva como o Presidente da Assembleia da República o fez, até jocosa que não correspondeu àquilo que devia ser a função do Presidente da Assembleia como guardião da instituição parlamentar e das instituições", acrescentou.
“Ainda que, mesmo assim, possa não ter agradado na forma a todos, não reagir a um momento em que se ameaça recuar na qualidade da Democracia (precisamente no dia em que a celebramos) seria falhar na representação das pessoas que se batem há anos pela transparência da vida pública”, concluiu no artigo do Público.
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