Sábado – Pense por si

Miriam Assor
Miriam Assor
10 de junho de 2026 às 14:59

Trumpada 

Qualquer país que seja atacado deve defender-se, e a defesa, em certas ocasiões, vive na prevenção.

Pediu a Israel para não responder ao ataque iraniano. Um pedido em tom de quem manda aqui, e ali, sou eu, ele, Donald Trump. A queda de um helicóptero norte-americano AH-64 Apache, que realizava uma missão de patrulhamento na zona, cuja responsabilidade atribuiu ao Irão, fez mudar o boneco. Os Estados Unidos da América teriam necessariamente de responder ao ataque, foi o que disse, e com razão, o presidente Trump. O Irão iria ser bombardeado. É a vida, é a lei do retorno e inquestionável. Não tardou para o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas (CENTCOM) anunciar o início de ataques de autodefesa contra o Irão.

Como é que é? América recebe licença para retaliar e Israel não? O que é que a América do Norte tem que Israel não tem, ah? O toque no calo americano parece-lhe diferente do calo israelita. Qualquer país que seja atacado deve defender-se, e a defesa, em certas ocasiões, vive na prevenção. Quer lá saber. So quer saber na hora do aperto, do seu aperto. Mandou Netanyahu ficar quieto e quis colocar-lhe uma rolha nos braços , com a promessa que, em breve, quiçá a 30 de fevereiro, Israel, EUA e o Irão, sentar-se-ão na mesa das negociações. Os mísseis balísticos que caíram em território israelita parecem-lhe menos e menores do que o helicóptero abatido, e com pilotos felizmente vivos. A contenção exigida a Israel é bipolar. Este traste contraste evidencia que, para a administração Trump, o direito à autodefesa e a soberania dos aliados são conceitos moldáveis. Assim que Israel é visado por vagas de mísseis, Washington prega a diplomacia e a paciência estratégica para salvaguardar os seus interesses políticos de bastidores. Contudo, quando o Irão atinge a algibeira do Ocidente — ameaçando refinarias no Bahrein, nos Emirados Árabes Unidos ou os fluxos de combustível —, a resposta norte-americana deixa de ser diplomática e passa a acção. Aflito que se escangalha-se o plano, Trump recorreu às redes sociais para exigir que Israel parasse. Pressionou diretamente o governo israelita a não retaliar de forma a não descarrilar as negociações de paz que diz há semanas infinitas estarem próximas. Avisou Israel que poderia ficar sozinha na guerra.  Ai que medo. 

Há um famoso provérbio popular que ilustra perfeitamente a falta de empatia. Traduz o quão fácil é minimizar, ou chutar para canto, com sorriso nas beiças, os problemas e sofrimentos alheios, já que a dor não dói na nossa pele. Quando a situação é com o próprio, a realidade difere. Pimenta no traseiro (versão poética do símbolo químico do cobre) dos outros é refresco.

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