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De Marques Mendes a Assunção Cristas: As figuras de direita que vão votar pelo "seguro"

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António José Seguro venceu a primeira volta das eleições presidenciais com 31%, disputando a segunda volta com André Ventura a 8 de fevereiro.

Há cerca de uma semana, desde que se conheceram os resultados da primeira volta das eleições presidenciais que deram a vitória a António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista (PS) e o segundo lugar a André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, que se tem questionado as intenções de voto de figuras e líderes da direita para a segunda volta, a 8 de fevereiro. Há 40 anos que o país não ia a uma segunda volta em eleições presidenciais, tendo sido a última disputada em 1986 entre Diogo Freitas do Amaral e Mário Soares, dando a vitória ao socialista. 

António José Seguro venceu a primeira volta das eleições presidenciais
António José Seguro venceu a primeira volta das eleições presidenciais JOSE COELHO/LUSA

Do lado da esquerda somaram-se instantaneamente os apoios a Seguro, com Catarina Martins, Jorge Pinto e António Filipe, os candidatos apoiados pelo Bloco de Esquerda, Livre e Partido Comunista, respetivamente, a declarar apoio ao candidato socialista em prol da derrota de André Ventura. Já à direita, as demonstrações de apoio a Seguro chegaram devagar e em grande parte dos casos, com pouco entusiasmo evocando o respeito pela Constituição e “moderação” do candidato.

Na noite eleitoral, Luís Marques Mendes, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP que saiu derrotado disse que não iria endossar qualquer um dos candidatos à segunda volta. Contudo, esta quinta-feira revelou ao semanário que vai apoiar António José Seguro por ser “o único candidato” que se aproxima dos valores que defende, nomeadamente a “defesa da democracia, garantia do espaço da moderação” e “respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”.

Esta sexta-feira, a mesma publicação revelou a intenção de voto de Carlos Moedas, o autarca de Lisboa, e Assunção Cristas, antiga líder do CDS-PP, em Seguro. Ao jornal, o presidente da Câmara da capital referiu que irá votar no socialista “sem entusiasmo” mas que ele tem “a capacidade de não dividir”. Cristas defendeu a sua escolha ao considerar que é “tempo de unir a direita humanista, moderada, tolerante, democrática no único voto possível”. A antiga presidente do partido democrata-cristã apoiou Luís Marques Mendes na primeira volta. 

Ainda, estas segunda-feira a Lusa noticiou que o antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva irá votar no candidato apoiado pelo PS. Numa nota enviada à agência o antigo primeiro ministro pelo PSD, que apoiou Marques Mendes, reitera que António José Seguro é "uma pessoa honesta e educada", afirmando que "num tempo de tantas incertezas e de graves ameaças, Portugal precisa de um Presidente da República de bom senso e credível na cena internacional que contribua para a defesa dos interesses nacionais". 

No entanto, os primeiros apoios a Seguro foram anunciados no domingo, após os resultados, nomeadamente do antigo governante do PSD Miguel Poiares Maduro, o autarca do Porto pelo PSD, Pedro Duarte, o antigo deputado e dirigente social-democrata José Pacheco Pereira e José Miguel Júdice, mandatário da candidatura de João Cotrim de Figueiredo.

Depois seguiram-se as declarações do secretário regional da economia do Governo da Madeira, José Manuel Rodrigues, que apoiou Henrique Gouveia e Melo na primeira volta,  considerou o candidato socialista como tendo “mais capacidade” de garantir a estabilidade do país num momento de “emergência internacional”. António Tavares, social-democrata e mandatário do antigo almirante no distrito do Porto, anunciou também apoiar Seguro ao entender respeitar a Constituição, “o Estado social e acima de tudo” vir “para unir” e declarou também que acredita que Gouveia e Melo venha a apoiar a campanha do socialista.

Ainda Cristóvão Norte, deputado social-democrata, Rui Moreira, ex-autarca do Porto e mandatário de Luís Marques Mendes, António Capucho, presidente da Câmara de Cascais que apoiou Gouveia e Melo na primeira volta e José Eduardo Martins, antigo secretário de Estado do PSD, já declararam apoio por Seguro. 

No que toca aos democratas-cristãos, para além de Assunção Cristas, Paulo Portas, ex-presidente do CDS-PP, Cecília Meireles, ex-deputada pelo CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, líder do partido entre 2020 e 2022, e Pedro Mota Soares, ex-ministro e antigo líder do CDS-PP, revelaram que o seu sentido de voto na segunda volta iria passar pelo candidato socialista. 

Ainda, o ex-presidente do partido, Paulo Portas, anunciou este domingo que votará em António José Seguro na segunda volta. No seu espaço de comentário semanal na TVI considerou que cabe a um chefe de Estado "unir o país" e "representar o melhor da comunidade", características que disse não reconhecer em André Ventura. 

Apesar da Iniciativa Liberal (IL) ter escolhido não apoiar qualquer um dos candidatos, a presidente do partido, Mariana Leitão,  assumiu “sem entusiasmo” o voto em Seguro. Em entrevista à SIC Notícias a liberal afirmou rejeitar “a forma de fazer política [de André Ventura], o populismo, o divisionismo, e a política através da mentira”.

Outros liberais como Mário Amorim Lopes, deputado, Carlos Guimarães Pinto, antigo presidente da IL, Rodrigo Saraiva, deputado e vice-presidente da Assembleia da República, e José Cerdeira, presidente da Junta de Campolide- o único eleito pela IL para liderar uma freguesia- vão votar em Seguro e contra André Ventura. 

"Não-socialistas por Seguro"

Entretanto, mais de duas centenas de figuras da área política "não-socialista" lançaram sábado uma carta aberta de apoio a António José Seguro, elogiando-o pela moderação e sublinhando que André Ventura não os representa. Numa carta intitulada "Não-socialistas por Seguro", 250 personalidades lembram que, apesar de também haver uma segunda volta, as eleições deste ano "não podiam ser mais diferentes" das de 1986, uma vez que não estão frente a frente um candidato de centro-esquerda e outro de centro-direita, mas sim um nome de centro-direita e outro das "direitas radicais".

Entre os signatários constam nomes como o do advogado Adolfo Mesquita Nunes, os antigos ministros António Capucho, Miguel Poiares Maduro e Arlindo Cunha, a antiga vereadora da Câmara de Lisboa Filipa Roseta, o historiador José Pacheco Pereira, a futebolista Francisca Nazareth, o humorista José Diogo Quintela, os escritores Miguel Esteves Cardoso, Henrique Raposo, Pedro Mexia, Afonso Reis Cabral, Rita Ferro e Francisco José Viegas.

Com Agência Lusa.

Nota: Notícia atualizada dia 26 de janeiro após ser conhecida a intenção de voto de Aníbal Cavaco Silva e Paulo Portas. 

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