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O candidato liberal quase conseguiu duplicar a votação face ao espaço da IL, mas não conseguiu passar à terceira volta. Cotrim não quis endossar votos, nem dar a opinião sobre em quem votará na "péssima escolha", como lhe chamou, entre Seguro e Ventura. Afastou candidatar-se à IL, cuja liderança - por Mariana Leitão - considerou estar "bem entregue".
Foi ao som de “Thunderstruck”, o hino rock dos australianos
AC/DC, que João Cotrim de Figueiredo entrou no auditório do hotel de cinco
estrelas Epic SANA no centro de Lisboa, já perto das onze da noite – ia fazer o discurso
de derrota, mas demorou a chegar ao palco, rodeado de abraços e gritos “Cotrim!”.
Cotrim gerou um “movimento”, como lhe chamou, de pessoas que o seguem com fervor e que votam
nele – foram ao todo 900 mil votos os que arrecadou, quase duplicando a votação
da IL, o seu partido. Esses votos serão importantes na segunda volta, mas Cotrim
– tal como o Marques Mendes, Henrique Gouveia e Melo e o primeiro-ministro Luís
Montenegro – não deu qualquer sinal sobre preferências na corrida entre o iliberal André
Ventura e socialista António José Seguro.
Cotrim não deu qualquer sinal sobre preferências na corrida entre o iliberal André Ventura e socialista António José SeguroEPA/ANTONIO PEDRO SANTOS
“Afirmo desde já que não tenciono recomendar ou endossar o
voto em qualquer um dos candidatos”, disse na intervenção inicial. Mesmo quando
questionado pelos media sobre o que pensa a título individual – pergunta que
mereceu assobios na sala – Cotrim respondeu: “Não penso que tenha interesse
político neste momento responder a essa pergunta". E não respondeu. Momentos
antes, Mariana Leitão, a líder da IL, remeteu a
resposta para um consenso a atingir nos “órgãos do partido”. Do que a SÁBADO ouviu
de alguns membros da IL presentes na sala, dificilmente o partido dará apoio a António José Seguro contra o líder do iliberalismo, Ventura.
A esperança de ver o seu candidato passar à segunda volta esvaziou-se ainda antes de serem conhecidas as projeções às 20h - os apoiantes da IL tiveram, tal como os jornalistas, os números das casas de sondagens nos seus telemóveis mais de uma hora antes. No final da noite, Cotrim assumiu como “derrota pessoal” não ter passado à
segunda volta – isto até dizer, já perto do final da intervenção, que a
responsabilidade pelo facto de a segunda volta significar uma “péssima escolha”
entre Seguro e Ventura estar nos ombros de Montenegro. O apoio do PSD a Marques
Mendes – que Cotrim procurou esvaziar na campanha quando as sondagens o deram à
frente de Mendes – foi um “erro estratégico da liderança do PSD”. As pessoas da
IL ouvidas pela SÁBADO, e que preferiram não dar o nome, acreditam que Ventura
conseguirá, mais tarde ou mais cedo, vencer umas legislativas.
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Cotrim de Figueiredo: 'Portugueses vão ser confrontados com a péssima escolha entre Seguro e Ventura'
Os 900 mil votos foram, contudo, transformados por Cotrim numa
vitória de quem nele votou – o “movimento de renovação” de Portugal, "contra o medo e a resignação", que o liberal espera ser
“o início de um caminho que se abriu para que alguém o possa trilhar”. Perante
a inevitável pergunta dos media – quereria ser ele a liderá-lo? – Cotrim
afastou a possibilidade de se candidatar à presidência da IL. A liderança do partido,
disse num segundo momento, está “bem entregue”. Na sala ninguém pareceu trair desconforto pelo
facto de Mariana Leitão ter levado tempo a defender Cotrim contra a acusação de
assédio que, alegadamente, terá acontecido dentro da IL.
No partido, uma pergunta a partir daqui será sobre como aproveitar
a votação do seu candidato – embora o caráter unipessoal das presidenciais, diferente
do das legislativas, torne muito difícil esse aproveitamento. Já João Cotrim de Figueiredo, 64 anos,
deverá agora voltar ao Parlamento Europeu, para o qual foi eleito deputado nas
eleições europeias de 2024.
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