Chega: extrema-direita ou populismo de direita radical?

Chega: extrema-direita ou populismo de direita radical?
Bruno Faria Lopes 14 de outubro de 2019

O partido de André Ventura tem mais traços de populismo do que de extremismo de direita, mas os especialistas não são unânimes. Para Cas Mudde, especialista mundial, o seu sucesso não está assegurado – e a atenção mediática não deve ser exagerada.

"Extrema-direita chega ao Parlamento", "Entrada da extrema direita no Parlamento deve alarmar partidos", "Vamos ter um parlamento da extrema-direita à extrema-esquerda", "Chegada da extrema-direita ao Parlamento preocupa esquerda". Após a eleição do primeiro deputado pelo recém-formado Chega multiplicaram-se os títulos e referências que caracterizam o partido como sendo de extrema-direita – mas será essa definição correta? Ou é o Chega um partido populista da direita radical? E quais as diferenças?

"O Chega pode ser incluído no grupo dos 'Partidos Populistas da Nova Direitra Radical'", afirma Ricardo Marchi, investigador do Centro de Estudos Internacionais no ISCTE especializado em movimentos da extrema-direita. A categoria é esta "por apresentar uma visão dicotómica da sociedade – povo contra elite –, políticas de lei&ordem e forte componente de preferência nacional face ao discurso pro-imigracionista da elite", explica. 

As políticas de "lei&ordem" do Chega incluem o reforço de penas para crimes graves – incluindo castração química e prisão perpétua no cardápio – e o reforço das garantias de actuação das polícias. O discurso anti-elites é feito contra os partidos actuais, com propostas de redução do número de deputados e a mensagem de que a corrupção é generalizada. A mensagem anti-imigração, que mais atenção atraiu, visa grupos específicos, como os ciganos. 

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