Covid-19

Caos nos centros de saúde

Caos nos centros de saúde
Lucília Galha 27 de junho

Cerca de 25% do tempo dos médicos de família está agora dedicado à pandemia. Resultado: há doentes crónicos descompensados, rastreios atrasados e cancros mais avançados e com menor perspetiva de cura.

No último ano, Mónica Fonseca esteve pelo menos 16 semanas a trabalhar nas chamadas Áreas Dedicadas aos Doentes Respiratórios (ADR) – espaços onde se avaliam suspeitas de covid-19. O que significa que, durante esses quatro meses, houve várias consultas que não fez, doentes crónicos que não vigiou e doenças que ficaram por detetar. "Sempre que sai um profissional de saúde, os outros têm de o substituir, mas a resposta não é a mesma porque cada um tem a sua lista de utentes para seguir", diz a médica especialista em Medicina Geral e Familiar. Atualmente, por semana, vê cerca de 80 doentes, responde a uma média de 50 emails e faz pelo menos 25 chamadas para pessoas em vigilância – trabalho que muitas vezes sobra para a noite, já em casa.

Na Unidade de Saúde Familiar Sofia Abecassis, em Lisboa, há 5 médicos, 4 enfermeiros e 2 administrativos. Mas, neste momento, só funciona diariamente com 2 enfermeiros (há dois alocados à vacinação) e pelo menos um médico também está sempre fora. "Isto está a asfixiar os Cuidados de Saúde Primários. Nós somos a porta de entrada do doente e quando essa porta está entreaberta fica muita gente sem acesso a cuidados de saúde", alerta a também dirigente do Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos.

Na sexta-feira, 18, quando falou com a SÁBADO, só o Agrupamento de Centros de Saúde a que pertence (ACES Lisboa Central) já tinha mais de 1.100 pessoas em vigilância. "Não temos sequer condições para retomar o que fazíamos, e com o aumento de casos é possível que a nossa atividade fique mais comprometida", admite.

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