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"Timor": a canção que uniu Luís Represas e os Trovante ao destino de um povo

Diogo Barreto 22 de julho de 2026 às 11:45

A canção gravada pelos Trovante dedicada à luta pela independência do povo timorense deu um último fôlego à banda de Represas.

"Ai, Timor, calam-se as vozes / Dos teus avós, ai, Timor / Se outros calam cantemos nós" ouve-se no refrão de Timor, a canção dos Trovante que se transformou num dos hinos da liberdade de Timor Leste. Luís Represas, a voz que entoou este hino, , aos 69 anos, vítima de cancro. 

Luís Represas Maria Martins/Sábado

Em 1990 os Trovante eram uma banda em queda, tendo editado nesse ano o último dos seus discos de estúdio: Um Destes Dias. Entre os temas deste álbum contava-se a canção "Timor", que nasceu como um instrumental composto por João Gil para o filme “Flores Amargas”, de Margarida Gil, com um coro em tetum, a língua nativa de Timor. Mas enquanto gravavam o disco Um Destes Dias, o Papa João Paulo II visitou Timor no âmbito de uma visita à Indonésia. "O Sumo Pontífice não beijou o solo à chegada ao território timorense, pois já tinha beijado em Jacarta", contou Represas ao .

Depois deste episódio, João Monge escreveu letra para a canção de Gil e os Trovante gravaram o tema em solidariedade com a luta do povo de Timor Leste. "A nossa intenção sempre foi chegar o mais longe possível e funcionar como um ‘despertador’ das consciências", contou Represas

A canção cumpriu o objetivo e tornou-se inevitável tanto nas rádios como nos protestos pela independência de Timor. Em 1999, foi feito um cordão humano em Lisboa pela independência de Timor da véspera e o jornal escrevia na reportagem sobre o evento: "Um dos momentos mais emocionantes da tarde ocorreu quando, num uníssono afinado, se cantou a música dos Trovante: 'Ai Timor, calam-se as vozes dos teus avós. Ai Timor, se outros calam, cantemos nós'".

Esta quarta-feira, à rádio , Ana Gomes referiu que a canção dos Trovante "foi absolutamente mobilizadora do povo português para se juntar, se unir e dar força, como deu, à causa Timor e obrigar os governantes portugueses a fazer o que era preciso ser feito e que foi feito".

Em 2000, na sequência do apoio que deu à causa timorense, Luís Represas foi convidado por Jorge Sampaio, na altura Presidente da República, a deslocar-se a Timor-Leste, em visita oficial. A 20 de maio de 2016, foi condecorado com a Ordem de Timor Leste, pelo presidente do país, Taur Matan Ruak. Em 2019 foi convidado para um concerto de celebração dos 20 anos de independência do país.

Nas que têm sido feitas a Represas nas últimas horas, não faltam os elogios à sua voz, à sua música e à sua simpatia. Mas são também muitos os que o lembram pela sua dedicação à causa timorense.

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