A impunidade
Nuno Tiago Pinto Chefe de redação
30 de abril

A impunidade

No futebol português aparentemente não há racionalidade – nem limites. Mas há impunidade - e muita. É altura de fazermos as perguntas certas.

As perguntas simples são por vezes as mais complicadas. Talvez porque saibamos exatamente as respostas – e não gostamos de as dar. Talvez porque as explicações que nos passam pela cabeça não façam sentido. Ou talvez porque nos tornámos tão dormentes que deixámos de as fazer.

Tenho sempre essa sensação quando falo com amigos estrangeiros que me colocam questões sobre o futebol português depois de lerem algumas notícias sobre o assunto. A sensação de que, de alguma forma, os estou a tentar enganar – ou pior, de que nos andamos a enganar a nós próprios. E não fazemos as perguntas certas.

Por exemplo, quando se tornou conhecida a lista de convidados VIP do Benfica – ou de pessoas que se faziam de convidados – que incluíam políticos, juízes, magistrados, advogados e empresários, um amigo inglês perguntou-me: "essas pessoas podem comprar bilhetes, porque é que os pedem?" A melhor resposta que me ocorreu foi que é algo cultural e que todos – ricos, pobres e remediados – gostamos de coisas de borla nem que seja para dizer aos amigos que tivemos "convites". Mas realmente, a pergunta é tão boa quanto simples: porquê?

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