Enquanto a Europa regula, a China conquista o futuro
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O modelo económico que sustentou o crescimento chinês (baseado em mão de obra abundante, exportações e investimento em infraestruturas) está esgotado.
A China decidiu que o seu futuro não será apenas industrial — será tecnológico. E essa escolha pode redefinir o equilíbrio global de poder nas próximas décadas.
O novo plano estratégico para a economia tecnológica até 2030, enquadrado no próximo Plano Quinquenal, é mais do que planeamento estatal: é uma afirmação clara de ambição. Pequim quer liderar não apenas na produção, mas na definição das tecnologias que moldarão o século XXI.
O modelo económico que sustentou o crescimento chinês (baseado em mão de obra abundante, exportações e investimento em infraestruturas) está esgotado. O envelhecimento da população, o abrandamento económico e as tensões com os Estados Unidos obrigaram a uma mudança de paradigma. A resposta é inequívoca: menos quantidade, mais qualidade; menos expansão, mais domínio tecnológico.
A aposta recai em áreas como inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia e mobilidade avançada. Não são apenas setores de inovação, mas instrumentos de poder. Definir padrões, controlar cadeias de valor e garantir autonomia estratégica tornou-se central. Num mundo fragmentado, quem domina a tecnologia molda dependências.
A China compreendeu algo que a Europa ainda hesita em assumir: a soberania tecnológica é a nova soberania económica. Dependências em semicondutores, software ou infraestruturas digitais são hoje vulnerabilidades geopolíticas. Daí a aposta na autossuficiência, no reforço da investigação e na coordenação entre Estado, academia e empresas.
Ao contrário do modelo ocidental, mais dependente do mercado, a China segue um capitalismo dirigido, onde o Estado define prioridades e mobiliza recursos. É um modelo discutível, mas eficaz na execução. A iniciativa “AI Plus”, que integra a inteligência artificial em toda a economia, ilustra bem esta estratégia, funcionando como resposta aos desafios de produtividade e demografia.
Ainda assim, o caminho não é isento de riscos. A transição pode acentuar desigualdades, eliminar empregos tradicionais e gerar ineficiências ou excesso de capacidade. A própria China já enfrentou alguns destes problemas.
No plano externo, a dimensão geopolítica é evidente. A rivalidade com os Estados Unidos deslocou-se para a tecnologia. Semicondutores, dados e infraestruturas digitais tornaram-se campos centrais de disputa pelo controlo do futuro.
E a Europa? Surge novamente numa posição desconfortável. Entre o planeamento estratégico chinês e o dinamismo americano, a Europa destaca-se sobretudo como reguladora. Instrumentos como o AI Act são relevantes, mas insuficientes. Regular sem capacidade tecnológica própria pode significar depender das inovações de outros.
O risco não é apenas económico, mas estratégico. Num mundo organizado em blocos tecnológicos, a falta de autonomia traduz-se em dependência estrutural.
O plano chinês para 2030 deve, por isso, ser lido como um sinal global. A próxima década será definida pela capacidade de transformar conhecimento em poder — e poder em influência. A tecnologia deixou de ser um setor; tornou-se o eixo das relações internacionais.
A questão já não é apenas se a China conseguirá cumprir o seu plano, mas se a Europa conseguirá acompanhar sem perder relevância. Porque, no final, a verdadeira disputa não é sobre quem produz mais, mas sobre quem define as regras do jogo.
Enquanto a Europa regula, a China conquista o futuro
O ensino superior não pode ser apenas um negócio global de exportação de diplomas. Se o for, corre o risco de perder a sua missão fundamental: formar cidadãos qualificados, críticos e capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável das sociedades.
Demasiados académicos em Portugal publicam para outros académicos, avaliam-se mutuamente, citam-se em circuito fechado e raramente produzem algo com impacto tangível fora das suas instituições. Não criam empresas, não desenvolvem produtos, não prestam serviços, não assumem riscos.
Portugal, como tantos outros países europeus, corre um risco particular. A rápida adoção de ferramentas de IA em contextos empresariais e educativos pode criar uma ilusão de modernização. Mas se essa adoção não for acompanhada por investimento sério em competências, estaremos apenas a acelerar desigualdades já existentes.
Com níveis de participação tão baixos, não existe qualquer representatividade estatística. Não existe, por conseguinte, validade científica. E sem validade científica, não há avaliação rigorosa. Existem apenas perceções dispersas, enviesadas e muitas vezes irrelevantes.
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