Venezuela: Oposição acusa Maduro de operações de suborno para diminuir apoio a Guaidó

Lusa 17 de janeiro de 2020
As mais lidas

O deputado José Gregório Noriega terá proposto a outro deputado que votasse contra a reeleição de Guaidó como presidente do parlamento em troca de 630 mil euros, a mando de Nicolás Maduro.

A oposição venezuelana acusou hoje o Presidente do país, Nicolás Maduro, de liderar uma operação de subornos a deputados do parlamento para, assim, diminuir o apoio a Juan Guaidó, apoiado por quase 60 países como presidente interino.

EPA

Numa conferência de imprensa, em Caracas, capital da Venezuela, o deputado da oposição Alfonso Marquina assegurou que, em meados de dezembro, José Gregório Noriega propôs que votasse contra a reeleição de Guaidó como presidente do parlamento em troca de 700 mil dólares (cerca de 630 mil euros).

"Perguntei diretamente ao deputado ‘Goyo’ [Noriega] quem dirige isto, porque tínhamos informações de que era [o vice-presidente da Área Económica] Tareck [Os Asissami]", afirmou Alfonso Marquina.

Segundo este deputado, a resposta de Noriega foi que se tratava do "próprio Nicolás" Maduro.

Alfonso Marquina apresentou como prova a gravação feita através do seu telemóvel com a alegada conversa com o deputado Noriega, que ocorreu num restaurante em Caracas.

O dinheiro do suborno seria entregue em dinheiro, em duas tranches, a primeira de cerca de 150 mil dólares, como "sinal", antes de 05 de janeiro, e o restante após a eleição do novo presidente do parlamento.

Alfonso Marquina adiantou que, face à possibilidade de ser descoberto a gravar a conversa, desligou o telefone após gravar os cinco minutos iniciais.

"Quem dirigiu toda a operação chama-se Nicolás Maduro Moros", frisou Marquina, acrescentando ser vítima de ameaças e que teme pela segurança dele e da sua família.

"O que quer que aconteça com um deputado ou os seus familiares é da responsabilidade exclusiva de Nicolás Maduro Moros", declarou o deputado.

Em 05 de janeiro vários deputados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) e das forças políticas que apoiam o Presidente Nicolás Maduro impediram o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, e uma centena de opositores de entrarem no palácio Federal Legislativo.

Com o bloqueio, os deputados do chavismo tentaram impedir a realização das eleições em que Juan Guaidó seria reeleito presidente do parlamento e realizaram uma votação que a oposição alega ser fraudulenta e ter sido efetuada sem quórum na qual Luís Eduardo Parra Rivero foi "eleito" para substituir o líder opositor.

Durante o bloqueio, a maioria parlamentar opositora reelegeu Juan Guaidó como presidente do parlamento até finais de 2020.

Uma semana depois, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções contra sete deputados afetos ao regime por terem tentado impedir Juan Guaidó de aceder ao parlamento. Entre os sancionados está Luis Parra.

Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!
Artigos Relacionados
Opinião Ver mais