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Vacinação em zonas de guerra. Médicos Sem Fronteiras falam em situação "devastadora"

Organização apelou a um reforço do financiamento para evitar catástrofes a nível de saúde global.

Os Médicos Sem Fronteiras lançaram um alerta para o agravamento das falhas na vacinação em países afectados por guerras, defendendo um reforço urgente do financiamento, do acesso a vacinas e da criação de modelos de vacinação mais flexíveis e seguros para evitar surtos de doenças evitáveis.

Pokrovsk (Ucrânia)
Pokrovsk (Ucrânia) Yuliia Trofimova/MSF

O apelo surge numa altura em que os países se reúnem em Genebra, no âmbito da Assembleia Mundial da Saúde, para discutir o progresso da implementação da Agenda de Imunização 2030. Segundo a organização, milhões de crianças continuam vulneráveis devido à interrupção dos programas de vacinação em zonas de guerra e instabilidade.

“Em muitos dos contextos afectados por conflitos em que estamos a trabalhar, a vacinação de rotina foi paralisada e a resposta atempada e eficaz aos surtos está a vacilar”, afirmou a coordenadora médica internacional da organização, Daniela Garone. A responsável alertou ainda para “coberturas vacinais perigosamente baixas”, que estão a expor crianças a surtos recorrentes e mortais de doenças preveníveis. Estes surtos não afetam apenas as zonas onde são inicialmente desenvolvidos, podendo mesmo alstrar-se ao resto do globo, mesmo para países onde as taxas de vacinação sejam bastante elevadas.

De acordo com a organização, a resposta humanitária enfrenta obstáculos políticos, administrativos, burocráticos e logísticos que dificultam a entrega de vacinas em territórios afectados por conflitos. A insegurança no terreno, as limitações de acesso a zonas remotas e a escassez de financiamento agravam ainda mais a situação.

A organização defende, por isso, a criação de mecanismos mais flexíveis de administração de vacinas e o desbloqueio urgente das cadeias de abastecimento. “Os governos, os doadores e as partes interessadas da saúde mundial têm de disponibilizar urgentemente financiamento sustentado e ágil”, sublinhou Daniela Garone, apelando também à garantia de passagens seguras para equipas médicas e humanitárias.

Na República Democrática do Congo, um dos exemplos apontados pela organização, os níveis de cobertura vacinal continuam abaixo dos mínimos recomendados para prevenir surtos. Em 2024, a cobertura da vacina contra difteria, tétano e tosse convulsa situava-se nos 65%, abaixo dos 90% recomendados, enquanto a vacinação contra o sarampo atingia apenas 55%, longe da meta de 95%.

Segundo a organização, o agravamento do conflito no leste da RDC desde 2025 provocou atrasos nas cadeias de abastecimento, sobretudo nas cadeias de frio essenciais para a conservação das vacinas. O encerramento de aeroportos e outras rotas de transporte dificultou a chegada de remessas e atrasou campanhas de vacinação apoiadas pela organização.

A organização alerta ainda que o declínio global do financiamento humanitário e da saúde está a enfraquecer ainda mais os serviços de vacinação de rotina em países frágeis, aumentando o risco de novos surtos e de mortalidade evitável.