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UE e China concordam em criar mecanismo de monitorização de trocas comerciais

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A ferramenta irá permitir que a União Europeia e a China trabalhem com base nos mesmos números, numa tentativa de reequilibrar a relação comercial entre as duas partes.

A UE e a China concordaram esta segunda-feira em criar um mecanismo de monitorização das trocas comerciais entre as duas partes, quando os europeus consideram que a atual relação bilateral é insustentável e precisa de mudar.

O comissário europeu Maros Sefcovic reuniu com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao
O comissário europeu Maros Sefcovic reuniu com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao OLIVIER MATTHYS/LUSA_EPA

Este mecanismo de monitorização foi acordado durante uma reunião em Bruxelas entre o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e o comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic.

Numa declaração conjunta divulgada durante o encontro, as duas partes afirmaram ser necessário "responder aos desafios que estão a afetar a relação comercial" e concordaram em "procurar soluções práticas" para o fazer.

"Durante a reunião, [as duas partes] acordaram também estabelecer um mecanismo de monitorização para trocar dados relevantes, acompanhar os fluxos comerciais e apoiar os trabalhos técnicos, com vista a melhorar a transparência, reforçar a confiança mútua e gerir os atritos comerciais", de acordo com a declaração.

As duas partes concordaram também em trabalhar conjuntamente em quatro áreas: "equilíbrio comercial e de investimento, controlos à exportação, direitos de propriedade intelectual e a reforma da Organização Mundial do Comércio", a avaliar no âmbito de uma deslocação do comissário europeu para o Comércio a Pequim em outubro.

Numa conferência de imprensa à margem deste encontro, Maros Sefcovic considerou que estas duas decisões são "os principais pontos" a reter desta reunião, afirmando que a China e a UE estão a "compreender-se melhor" e manifestando-se convicto de que o diálogo vai trazer "resultados tangíveis".

"Claro que não ficará tudo resolvido, nem todos os problemas serão corrigidos. No entanto, acreditamos que, entre agora e outubro, as nossas equipas dispõem de tempo suficiente para alcançar resultados concretos", afirmou. Questionado especificamente sobre qual é a utilidade deste mecanismo de monitorização conjunto, uma vez que a UE já tem um mecanismo desta natureza, Sefcovic considerou tratar-se de uma "ferramenta muito importante", porque vai permitir que UE e China trabalhem com base nas "mesmas estatísticas e números".

"Poderemos, por exemplo, identificar um aumento súbito das importações para a UE e, quando esse aumento ultrapassar determinados níveis de alerta, os chamados níveis amarelo ou vermelho, haver de imediato um diálogo a nível político para responder a essas situações. Até agora, não dispúnhamos de um mecanismo deste tipo", referiu.

Sefcovic reiterou que a UE considera que é necessário reequilibrar a relação comercial entre as duas partes, frisando que as exportações da China para o bloco continuam a aumentar, enquanto os europeus estão a perder cada vez mais quotas de mercado na China. "Esta tendência não é sustentável e manter a situação atual não é uma opção. A UE continua aberta aos negócios, mas precisamos de defender a nossa base industrial. É por isso que as conversas de hoje, bem como as que se seguirão, são importantes: ajudam-nos a evitar tensões desnecessárias", salientou.

No que se refere aos controlos à exportação, Sefcovic disse que Wang garantiu que as restrições que a China tem atualmente em vigor no que se refere à exportação de terras raras "não vão perturbar as cadeias de abastecimento da UE".

O comissário europeu considerou que o dia desta segunda-feira foi positivo. "A discussão foi verdadeiramente construtiva e vejo que existe, da parte dos nossos homólogos chineses, uma compreensão muito maior dos desafios comuns e da situação da UE do que havia anteriormente", referiu.

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