"O mundo ainda não compreendeu bem a dimensão do desafio de segurança energética que enfrentamos", diz o diretor executivo da AIE, à BBC.
A escalada dos preços dos combustíveis preocupa a generalidade dos governos, à medida que a guerra no Irão não parece ter fim à vista. A Agência Internacional de Energia (AIE) recomenda 10 medidas para poupar, numa fase em que o mundo enfrenta "a maior ameaça à segurança energética global da história", segundo admitiu Fatih Birol, diretor executivo da AIE, à BBC. Algumas delas, que vão desde a redução do limite de velocidade nas autoestradas ao incentivo do teletrabalho, já foram implementadas por alguns países asiáticos, mas poderão ser alargadas a outros continentes.
AIE sugere reduzir a velocidade nas autoestradasJosé Reis
O aviso é sério: "Acredito que o mundo ainda não compreendeu bem a dimensão do desafio de segurança energética que enfrentamos. É muito maior do que o que tínhamos na década de 1970... É também maior do que o choque do preço do gás natural que sofremos após a invasão da Ucrânia pela Rússia", sublinhou diretor executivo da AIE à televisão britânica.
Birol admitiu que a "solução mais importante para este problema é a abertura do Estreito de Ormuz", mas, mesmo que isso aconteça nos próximos tempos, serão necessários "meses e meses" para que a infraestrutura energética, os campos de petróleo, as refinarias e os oleodutos "voltem ao estado em que se encontravam antes do início da guerra".
Medidas propostas pela Agência Internacional de Energia:
1. Teletrabalho, sempre que possível
O trabalho em casa reduz o consumo de combustíveis em deslocações diárias. As Filipinas e o Paquistão já implementaram semanas de trabalho de quatro dias para funcionários públicos, enquanto que o Sri Lanka fechou os escritórios públicos às quartas-feira. Laos, Tailândia e Vietname promovem o teletrabalho.
2. Redução dos limites de velocidade nas autoestradas em pelo menos 10 km/h
Velocidades mais baixas reduzem o consumo de combustível. Em Portugal o atual limite máximo nas autoestradas é de 120 km/h.
3. Incentivar o uso dos transportes públicos
A troca dos carros particulares para os transportes públicos pode reduzir a procura por petróleo.
4. Alternar o acesso de carros particulares às vias públicas em grandes cidades em dias diferentes.
A ideia passa por designar zonas nas grandes cidades em que o acesso de carros particulares só é permitido apenas em dias específicos, com base matrícula do veículo. A medida já existe em algumas cidades da Europa, para reduzir a poluição.
5. Promover a partilha de carros e adotar práticas de condução eficientes.
Uma maior ocupação dos veículos e a adoção de uma condução mais ecológica podem ajudar a reduzir o consumo de combustível.
6. Condução eficiente de veículos comerciais rodoviários e de entrega de mercadorias
Melhores práticas de condução, manutenção preventiva dos veículos e otimização da carga reduzem o consumo de combustível. A Agência Internacional de Energia sugere verificações regulares da pressão dos pneus, redução do tempo em marcha lenta e diminuição das travagens e acelerações, além de melhorias operacionais como a otimização da carga e redução de viagens com o veículo vazio.
7. Desviar o uso de GLP - Gás Liquefeito de Petróleo,também conhecido em Portugal como GPL - dos transportes
A conversão de veículos movidos a GPL para para gasolina pode preservar o GPL para cozinhar e atender a outras necessidades essenciais, especialmente para famílias vulneráveis.
8. Evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas.
A redução dos voos pode aliviar rapidamente a pressão sobre os mercados de combustível de aviação.
9. Adorar soluções modernas na cozinha.
Incentivar o uso de fogões elétricos e outras opções limpas pode reduzir a dependência do GPL e evitar o regresso a combustíveis mais poluentes que prejudicam a saúde.
10. Aproveitar a flexibilidade das matérias-primas petroquímicas e implementar medidas de eficiência e manutenção de curto prazo.
Através de melhorias operacionais rápidas, a indústria pode ajudar a liberar GPL e reduzir o consumo de petróleo. Dois terços da procura industrial de petróleo são destinados à indústria química. A maior parte da capacidade de produção petroquímica na Ásia e na União Europeia pode, tecnicamente, alternar entre diferentes derivados de petróleo como matéria-prima – como GPL, nafta, etano ou gasóleo – sem necessidade de modificações nos equipamentos.
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