A Índia, a China, os países do Sudeste Asiático e a África Oriental são os mais afetados pelo bloqueio implementado pelo Irão.
O Irão tem bloqueado o Estreito de Ormuz desde o início dos ataques norte-americanos e israelitas ao país, no final do mês de fevereiro. Já é sabido que esta passagem é crucial para o sistema energético, uma vez que por ali passa 20% de todo o petróleo comercializado mundialmente e 90% do petróleo comprado pelos países asiáticos, mas existem outros materiais essenciais que estão a ser afetados pelo bloqueio.
Navio a atravessar o Estreito de OrmuzAP
A Clarksons, consultora especializada em serviços marítimos, publicou esta semana um relatório onde avança que o tráfego de embarcações diminuiu 95% em comparação com os níveis pré-conflito. Das 125 embarcações que cruzavam o estreito diariamente há pouco mais de duas semanas, agora passam apenas cinco. A paralisação impactou 19% de todos os derivados de petróleo refinado consumidos no mundo, refere a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio de Desenvolvimento, mas também 13% de todos os produtos químicos, incluindo fertilizantes, e 2% dos grãos secos.
A Índia, a China, os países do Sudeste Asiático e da África Oriental são os mais afetados, enquanto a Europa enfrenta aumentos de preços, apesar de não depender diretamente dos países em conflito. Os Estados Unidos estão mais protegidos, uma vez que têm a sua própria indústria petroquímica.
Um terço de todo o comércio global de fertilizantes marítimos tem origem nos países do Golfo Pérsico, tendo atingido as 16 milhões de toneladas em 2024 e representando 67% do consumo mundial de ureia (um tipo de fertilizante), 20% do fosfato diamónico e 9% do fosfato monoamónico. Todos esses fertilizantes são essenciais para o cultivo de milho, arroz e trigo em países como o Sudão ou a Austrália, mas também para os países europeus.
O aumento do preço petróleo em 41% não afetou apenas os automóveis. A Associação Internacional de Companhias Aéreas já alertou para um aumento de 8% a 9% nos preços das viagens de avião e o custo do óleo combustível leve para navios aumentou de 521,5 dólares por tonelada, para 1.119,5 dólares por tonelada em Singapura, o maior porto de abastecimento de combustível marítimo do mundo. Ainda dentro dos combustíveis, os ataques contra instalações energéticas do Catar forçaram a Qatar Energy a interromper a produção de gás natural liquefeito e derivados.
Entre esses derivados encontra-se a nafta, um componente essencial para a produção de plásticos como PVC, polietileno e polipropileno, utilizados no fabrico de embalagens, materiais de construção e eletrodomésticos. É ainda crucial para a indústria siderúrgica e automóvel em países do Sudeste Asiático.
O Catar é também o segundo maior produtor mundial de hélio, responsável por 33% da produção global, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos. O hélio é um componente essencial para a indústria de tecnologia, facilitando o processo de fabrico de chips, e este bloqueio pode afetar a produção de gigantes tecnológicas como a Samsung, a Nvidia, a Microsoft e a Apple. Analistas internacionais têm alertado para o facto de, se a produção de mantiver interrompida por mais de 90 dias, os preços poderem disparar até 50%, visto que o hélio tem uma vida útil de apenas 45 dias antes de evaporar.
Apesar de no dia 2 de março Ebrahim Jabari, conselheiro sénior do comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, ter anunciado que o estreito se encontrava “fechado” e que as embarcações que tentassem atravessá-lo seriam incendiadas, alguns navios estão a ser autorizados a passar no em Ormuz, incluindo um navio-tanque Aframax de bandeira paquistanesa, um navio turco e um outro indiano. China, França e Itália estão em negociações para permitir a passagem de mais embarcações.
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