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Miriam Assor
Miriam Assor
20 de março de 2026 às 16:58

O senso de Centeno

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Edição de 17 a 23 de março

Álvaro Santos Pereira despacha o seu antecessor à velocidade Porsche e, por conseguinte, resolve-se o problema de existência de dois monarcas onde só um senta-se no trono.

A culpa não é de Mário Centeno. Não foi Centeno quem fez as contas. Não é Centeno  a pessoa que adicionou 15 anos aos vinte anos verdadeiros de serviço no Banco de Portugal. Centeno aceitou o milho vindo da soma final que proporcionar-lhe-á ovos de platina mensais, resultante dos tais quase 35 anos de labor dos quais 5 478,63298 dias nem uma folha A4  levantou. 

Os euros da reforma, esses, cresceram na proporção da linha imaginária. Dez mil, parece ser o montante acordado. Brutos, 10 mil euros. Sim, senhora. Todos os meses irá pingar na conta bancária de Centeno chuva de ouro. Desta forma, sem apanhar molha, Álvaro Santos Pereira despacha o seu antecessor à velocidade Porsche e, por conseguinte, resolve-se o problema de existência de  dois monarcas onde só um senta-se no trono. 

Desculpem a repetição, mas é impossível não ficar entontado com o golpe aritmético. Ficará, para o funeral da matemática estatal desconhecedora de ética, o seguinte: Mário Centeno exerceu duas décadas de trabalho efetivo 15 anos como economista e cinco anos na qualidade de governador, contudo, para o próprio ir à sua vidinha e deixar caminho aberto para Álvaro Santos Pereira, um homem, Centeno, aos 59 anos é levado pela corrente de reforma antecipada, ao abrigo do fundo de pensões existente no banco central. Inventa-se, à larga e descaradamente, anos na carteira da biografia profissional de uma pessoa: Centeno. O culpado não é Centeno de vir a receber mensalmente cerca de 11 salários mínimos. Apresentaram-lhe a proposta, a proposta não partiu de Centeno. Talvez seja possível, veremos, explicar, mostrar, provar que alíneas do tais fundos de pensões encaixam como luvas de seda no caso Centeno. Porém, é adivinhado a impossibilidade absoluta de recuar no tempo e colocar Centeno num gabinete 15 verões antes da sua entrada ao serviço. O mesmo Centeno que pagou do bolso do ajuste direto do banco de Portugal 15 mil euros para pagar o projeto do hino comemorativo dos seus cinco anos de mandato. Poderia ter sido mais, podia, podia, se a letra não tivesse saído da veia, aliás, artéria do homenageado que se homenageou a si mesmo, Centeno. 

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