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Ratos e doninhas infestam campos de refugiados em Gaza. Crianças são as principais afetadas

Débora Calheiros Lourenço
Débora Calheiros Lourenço 02 de maio de 2026 às 16:58
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A ONU refere que roedores ou pragas são frequentemente visíveis em 80% dos locais onde as famílias deslocadas vivem e afetam cerca de 1,45 milhões de pessoas.

Na Faixa de Gaza, devastada pela guerra originada pelo atentado do Hamas a 7 de outubro de 2023, milhares de pessoas viram as suas casas destruídas e não tiveram outra opção senão mudar-se para acampamentos temporários. Agora, as lutas diárias são contra ratos e doninhas que espalham doenças entre a população, sendo as crianças as mais vulneráveis.  

Refugiados em Gaza enfrentam infestação de ratos e doninhas
Refugiados em Gaza enfrentam infestação de ratos e doninhas AP Photo/Abdel Kareem Hana

Os trabalhadores humanitários que se encontram no enclave têm pedido que sejam tomadas medidas urgentes para terminar com a crise. A Cogat, agência de defesa israelita que controla as entradas em Gaza, garante que está a trabalhar “para atender às necessidades de saneamento”.  

As imagens dos ratos nos campos criados para famílias deslocadas têm sido partilhadas nas redes sociais e são acompanhadas por relatos de que os roedores estão a atacar bebés recém-nascidos, doentes e idosos. Os roedores podem morder ou arranjar os humanos, mas também podem transmitir várias doenças através das suas fezes, urinas e pulhas, causando doenças respiratórias e de pele, infeções sanguíneas e intoxicações alimentares.  

Segundo a BBC, vários pais ficam agora acordados durante a noite para protegerem os seus filhos: “Não conseguimos dormir! Se dormimos, eles mordem as crianças. Há muitas doninhas e ratos. Entram no lixo e lutar porque são muitos. Juro que não aguentamos mais. Os ratos rasgaram as nossas roupas e comeram a nossa farinha. Há muitos mosquitos e está um cheiro horrível”, partilhou Rizq Abu Laila. 

A ONU refere que roedores ou pragas são frequentemente visíveis em 80% dos locais onde as famílias deslocadas vivem e afetam cerca de 1,45 milhões de pessoas. A representante local da Organização Mundial de Saúde, Reinhilde Van De Weert, defendeu que as novas infestações são “infelizmente, a consequência previsível de um ambiente de vida em ruínas”. 

Ettie Higgins, representante adjunta da Unicef para a Palestina, considerou que “o que é necessário é uma campanha em larga escala para lidar com os problemas de lixo e entulho”. Problemas estes que se encontram maximizados uma vez que “as estações de tratamento foram destruídas” durante a guerra.  

Passados mais de seis meses de o Hamas e Israel terem concordado com um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos da América, ainda não foi possível verificar as melhorias esperadas na situação humanitária em Gaza uma vez que o processo parece estar estagnado e o processo de reconstrução ainda não começou. Continuam também a ocorrer ataques aéreos mortais de forma regular por parte dos israelitas e o Hamas não se comprometeu com o tão desejado desarmamento.  

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