Ceuta e Melilha fazem parte do território de Espanha desde o século XVI e são pontos frequentes de passagem de migrantes. Marrocos reivindica os territórios desde a sua independência.
Entraram na manhã de quinta-feira mais de 60 mil imigrantes em Ceuta, a maioria de nacionalidade marroquina. Atravessaram a fronteira a nado, pelo pontão de Tarajal, que faz fronteira entre o enclave espanhol e Marrocos. Na travessia morreram pelo menos 34 pessoas.
Migrantes vindos de Marrocos chegaram em massa a Ceuta esta semanaAntonio Sempere
Os pequenos enclaves de Ceuta e Melilha, situados na costa norte de Marrocos, são os únicos territórios europeus remanescentes na África continental. Os territórios, que pertencem à Espanha desde o século XVI, nunca foram reconhecidos por Marrocos, que os classifica como uma herança do colonialismo. O país africano, que ganhou independência da Espanha e França em 1956, reivindica os enclaves como parte integrante do seu território, ideia reiteradamente rejeitada pelos sucessivos governos espanhóis.
Os enclaves têm uma extensa história com os países ibéricos. Ceuta é descrita pelos historiadores como um ponto de partida para a conquista islâmica da Península Ibérica, no século VIII.
Em 1415, voltou a estar no centro da História ibérica quando foi conquistada por Portugal, durante o reinado de D. João I, marcando o início da época dos Descobrimentos. Melilha foi tomada pelos espanhóis em 1497. Com a formação da União Ibérica, que uniu Portugal e Espanha durante os reinados dos três Filipes de Espanha, Ceuta passou a ser administrada pela Coroa espanhola, onde se manteve depois do fim da união em 1640.
O estatuto dos territórios foi mudando ao longo do tempo. À BBC, o cientista político marroquino Samir Bennis explicou que Ceuta e Melilha foram alternando entre “fortificações militares e prisões a céu aberto”. Foi só em 1995 que Espanha reconheceu as duas cidades como regiões autónomas.
Episódios passados
Em 2021, Ceuta viveu uma crise migratória semelhante à de esta semana, apesar de em menor escala: entraram no território aproximadamente 10 mil pessoas. Um ano depois, em 2022, Melilha foi o centro de uma tentativa de passagem de aproximadamente 1700 pessoas, a maioria refugiados do Sudão e do Sudão do Sul. Passaram a cerca que divide Marrocos do território e foram recebidos pela polícia marroquina, que os atingiu com pedras e balas de borracha. No "massacre de Melilha", como ficou conhecido o incidente, morreram 37 pessoas.
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