As autoridades marroquinas endureceram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira, mas milhares de pessoas, na sua maioria jovens, refugiaram-se nas colinas próximas e chegaram a atirar pedras às forças de segurança.
Milhares de pessoas continuavam esta sexta-feira a tentar atravessar a fronteira de Ceuta com Marrocos, numa crise que já causou, pelo menos, 18 mortos confirmados e levou o Governo espanhol a destacar militares para restabelecer a ordem no enclave.
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Multidão atravessa fronteira de Marrocos para Ceuta. Autoridades de Ceuta querem decretar emergência nacional
O Executivo espanhol informou que destacará as Forças Armadas para apoiar a Guarda Civil na "manutenção da segurança na cidade de Ceuta", depois de as autoridades locais de Ceuta terem pedido reforços ao Governo central em Madrid para gerir a crise fronteiriça - a mais grave desde 2021 - que explodiu na quinta-feira, quando grandes grupos de pessoas derrubaram a vedação fronteiriça da cidade.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, vão também visitar a cidade hoje.
Por seu lado, as autoridades marroquinas endureceram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira, mas milhares de pessoas, na sua maioria jovens, refugiaram-se nas colinas próximas e chegaram a atirar pedras às forças de segurança.
No mar, as forças auxiliares marroquinas não conseguiram impediram o fluxo permanente de pessoas em direção ao enclave contornando a costa, um dos últimos obstáculos para pisar território espanhol.
O presidente do governo regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, reiterou o pedido de emergência e de envio do Exército para "garantir a inviolabilidade da fronteira e a segurança dos cidadãos".
Vivas alertou que os centros de acolhimento estão sobrelotados, com centenas a dormir nas ruas, após a entrada de mais de 1.500 migrantes na última semana.
O incidente coincide com o 27.º aniversário da entronização do rei Mohamed VI, que não mencionou a situação no seu discurso à nação.
O Ministério do Interior espanhol disse que Marrocos está a cooperar e que a polícia marroquina travou "numerosas pessoas" que tentavam atravessar. Ambos os países acordaram trabalhar juntos no sentido do "regresso, o mais rápido possível, de todos os que entraram ilegalmente em Ceuta".
O Governo espanhol recusou declarar estado de emergência nacional, como pediam as autoridades locais, alegando que os fluxos migratórios não são considerados risco de segurança nacional.
A primeiro-ministra italiana, Giorgia Meloni, ameaçou suspender o acordo de Schengen com Espanha "para defender as fronteiras [italianas]", apesar de Itália não partilhar fronteira com o país ibérico.
Segundo dados oficiais, até 15 de julho cerca de 3.000 migrantes tinham entrado em Ceuta por terra ou mar este ano. O próximo relatório migratório será publicado a 03 de agosto.
O incidente relembra a crise de maio de 2021, quando mais de 8.000 migrantes entraram em Ceuta em apenas dois dias, após uma alegada flexibilização dos controlos por Rabat, na sequência da hospitalização em Espanha do líder da Frente Polisário, Brahim Ghali.
Ceuta, enclave espanhol desde 1580, tem uma população mista de cristãos e muçulmanos, espanhóis e marroquinos, sendo um ponto de entrada muito procurado por migrantes provenientes de todo o continente africano que tentam entrar na Europa.
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